Atrair talentos já é difícil, mas manter essas pessoas dentro da empresa pode ser ainda mais desafiador. A rotatividade continua alta no Brasil e pesa diretamente no bolso das organizações — não só pelos custos de recrutamento e treinamento, mas também pela perda de conhecimento e pelo impacto na produtividade das equipes. Nesse cenário, ter uma política de cargos e salários bem estruturada deixa de ser um detalhe administrativo e passa a ser uma estratégia essencial de gestão de pessoas.
Afinal, quando os colaboradores entendem como sua remuneração é definida, quais critérios são usados para promoções e de que forma podem evoluir na carreira, eles se sentem mais seguros, engajados e valorizados. Ou seja, além de garantir justiça interna, uma boa política também fortalece a cultura organizacional, aumenta a confiança na liderança e melhora a competitividade da empresa no mercado.
O que é, afinal, um plano de cargos e salários?
Um plano de cargos e salários nada mais é do que um conjunto de regras e critérios que organizam como as funções dentro da empresa se estruturam e como a remuneração é definida. Ele estabelece responsabilidades, níveis hierárquicos, faixas salariais e possibilidades de evolução na carreira. Ou seja, funciona como um guia que ajuda a manter a justiça interna e, ao mesmo tempo, garante que a empresa esteja alinhada ao mercado.
Além disso, um plano bem elaborado traz previsibilidade tanto para a organização quanto para os colaboradores. Para o RH, ele facilita decisões sobre contratações, promoções e reajustes salariais. Já para os profissionais, oferece clareza sobre o que é preciso alcançar para crescer e como o reconhecimento acontece. No fim, trata-se de uma ferramenta estratégica que conecta remuneração, desenvolvimento e engajamento.
O preço de não ter um plano de cargos e salários bem definido
Uma estrutura de cargos e salários mal definida gera insegurança, desalinhamento e insatisfação, afetando diretamente a experiência dos profissionais e comprometendo o desempenho organizacional. Alguns dos principais problemas da falta de uma estrutura clara de cargos e salários são:
-
Perda de conhecimento e custos elevados:
a rotatividade implica custos diretos (seleção, contratação, treinamento) e indiretos (perda de know-how e produtividade), onerando o RH e diminuindo a performance dos times.
-
Desorientação dos colaboradores:
sem critérios claros de progressão, os profissionais ficam sem perspectiva de futuro. Isso desmotiva, gera frustração e aumenta a chance de buscarem novas oportunidades no mercado.
-
Perda de confiança e cultura enfraquecida:
a falta de transparência abre espaço para percepções de favoritismo e injustiça, minando a confiança no RH e na liderança e comprometendo a cultura organizacional.
Novas formas de pensar carreira e remuneração
O mundo do trabalho está em constante transformação, assim como as expectativas dos profissionais. Assim, é essencial que o RH acompanhe essas mudanças para garantir políticas mais justas, modernas e atrativas. Entre as principais tendências estão:
-
Modelos de carreira em Y (ou em W):
permitem que profissionais cresçam tanto em trilhas técnicas quanto gerenciais, valorizando diferentes perfis e reduzindo a perda de talentos que não querem seguir liderança.
-
Transparência salarial:
cada vez mais empresas estão abrindo suas faixas salariais e critérios de progressão. Dessa forma, fortalece-se a confiança interna e há clareza sobre o que é necessário para avançar na carreira.
-
Benefícios flexíveis:
oferecer pacotes customizáveis, que se ajustam a diferentes perfis e momentos de vida, aumenta a percepção de valorização.
-
Equidade salarial:
políticas para reduzir lacunas de remuneração, como a diferença entre homens e mulheres, estão cada vez mais em pauta e se tornando exigência social e competitiva.
6 passos para estruturar um plano eficaz de cargos e salários
Não existe mágica: um plano de cargos e salários sólido precisa de método. Com um passo a passo bem definido, é possível criar uma estrutura justa, competitiva e viável. Veja os principais elementos:
-
Mapeamento de cargos e responsabilidades
O primeiro passo é olhar para dentro de casa e entender exatamente quais são os cargos existentes, suas responsabilidades e níveis hierárquicos. Esse mapeamento ajuda a identificar sobreposições de funções, lacunas e incoerências que podem estar prejudicando a organização. É como montar o alicerce: sem clareza sobre quem faz o quê, qualquer estrutura de cargos e salários fica comprometida.
-
Pesquisa salarial de mercado
Depois de mapear os cargos, é hora de entender como sua empresa se posiciona em relação ao mercado. Pesquisas salariais, baseadas em dados confiáveis e atualizados, permitem comparar faixas e benefícios oferecidos por outras organizações do mesmo porte ou setor. Isso evita tanto a defasagem quanto os excessos, garantindo que sua empresa seja competitiva sem comprometer o orçamento.
-
Definição de faixas salariais
Com base nas informações do mercado e no diagnóstico interno, é possível estabelecer faixas salariais para cada cargo. Assim, o objetivo é criar uma lógica de progressão que seja coerente com a complexidade e responsabilidade de cada função. Esse passo dá previsibilidade aos colaboradores e ajuda o RH a tomar decisões consistentes sobre contratações, promoções e ajustes.
-
Critérios de promoção e reajuste
Um dos maiores motivos de frustração dos colaboradores é não entender por que alguns crescem na carreira e outros não. Definir critérios objetivos — como desempenho, aquisição de competências, tempo de casa ou certificações — dá transparência ao processo e fortalece a meritocracia. Além disso, deixa líderes mais seguros para aplicar decisões sem gerar ruídos ou percepções de injustiça.
-
Comunicação clara
Não adianta ter um plano bem estruturado se ele ficar restrito ao RH. Assim, a comunicação deve ser simples, acessível e envolvente, mostrando aos colaboradores quais são os benefícios, as regras e as possibilidades de crescimento. Transparência gera confiança, reduz boatos e fortalece o engajamento das equipes.
-
Capacitação de gestores
Por fim, é essencial treinar os líderes para aplicar a política de cargos e salários de forma consistente. São eles que estarão na linha de frente, conversando com os times, conduzindo avaliações e dando feedbacks. Se não forem bem preparados, todo o trabalho do RH pode se perder. Capacitar gestores garante alinhamento, evita distorções e reforça o clima de confiança dentro da empresa.
Um plano bem estruturado de cargos e salários: impactos vistos no dia a dia
Quando a política de cargos e salários é clara e bem aplicada, os resultados não demoram a aparecer. O RH passa a ter mais previsibilidade para planejar contratações e controlar custos, enquanto os líderes ganham segurança para tomar decisões que antes poderiam parecer subjetivas. Para os colaboradores, a mensagem é simples e direta: existe justiça e transparência na forma como a empresa reconhece e valoriza as pessoas. Isso, por sua vez, reduz a ansiedade e fortalece o vínculo com a organização. Além disso, um plano bem definido diminui a chance de perder talentos para o mercado, já que os profissionais percebem que há espaço para crescer internamente.
Outro impacto importante está no engajamento. Profissionais que enxergam perspectiva de evolução e entendem os critérios para chegar lá tendem a se dedicar mais, e assim acabam gerando melhores resultados. Ainda, a meritocracia, quando aplicada de forma justa, reforça a confiança e fortalece a cultura organizacional. Ou seja, não se trata apenas de salários, mas também de criar um ambiente de trabalho mais estável e produtivo. No fim das contas, todos saem ganhando: a empresa mantém o conhecimento interno, economiza recursos com turnover e, ao mesmo tempo, garante um futuro mais sustentável para suas equipes e negócios.
Mais do que valores, estratégia
Cargos e salários não são apenas números: são instrumentos estratégicos de gestão, capazes de transformar a experiência dos colaboradores e o desempenho da organização.
Para profissionais de RH que querem transformar a forma como a remuneração é gerida, a “Formação do Profissional em Cargos e Salários” da Integração oferece exatamente o suporte necessário. O curso combina metodologia atualizada e prática de mercado para capacitar você a estruturar planos consistentes, conduzir pesquisas salariais de referência, comunicar critérios com clareza e implantar políticas sustentáveis, que geram impacto real na retenção e valorização de talentos. Saiba mais aqui.
