Você é feliz no trabalho?

Na integra

  Estamos muito felizes de ter a professora Lucimar Delaroli, da Integracão Escola de Negócios, mais uma vez no nosso blog. O assunto da semana? Você também vai ficar feliz em ler e saber:  

” Pronto para desmistificar algumas coisas por aqui? Então vamos lá. A Psicologia Positiva, considerada a 5ª força na história da Psicologia, trouxe os conceitos de bem-estar e felicidade, de modo prático e não filosófico, por meio do trabalho do PhD Martin Seligman. Percebeu-se que ela não surge apenas porque a pessoa não tem doenças ou problemas. Pelo contrário, em lugar do sintoma às vezes instala-se o vazio.  

Então fica a pergunta: o que é felicidade? Também chamada de emoção positiva, ela é a principal de 5 importantes pilares: engajamento, relacionamento, sentido da vida e realização. Logo, ser feliz é ter uma causa pela qual nos engajamos. É cultivar bons relacionamentos. É dar um sentido para a vida e, por fim, é sentir que você faz coisas que trazem a realização pessoal, que fazem você se orgulhar e se sentir uma pessoa melhor.  

Mas qual é a relação entre felicidade e alto desempenho? É muito direta. Você conhece alguém bem-sucedido que não ama o que faz? E não me refiro aqui a ter dinheiro ou fama, mas em se tornar uma referência na sua área de atuação. Não importa se for uma dona de casa, manicure ou gari. Se a pessoa é reconhecidamente talentosa e dedicada ao que faz, ela sente-se feliz, realizada e parece atender a um chamado vocacional. 

Para estas pessoas, estudar, pesquisar, treinar, experimentar novos métodos, técnicas ou procedimentos não é trabalho ou uma coisa chata. Porque elas passam a maior parte do tempo fazendo o que gostam. Isso as preenche. Ficam em estado alfa ou flow. Com certeza você já vivenciou esta cena: você se aproxima e até fala com uma pessoa, mas ela parece estar com a cabeça no mundo da lua. E está mesmo. Ela se mistura às suas atividades de tal modo que quase perde o contato com a realidade ao redor.

Já experimentou essa sensação? É incrível! Bom, já ficou claro que só tem alto desempenho quem se sente feliz, realizado, motivado e engajado no que faz. É daí que tiramos o conceito de “tanque de energia”: qual a quantidade de energia que você precisa para realizar certas atividades? Há trabalhos que são energizantes. Seu tanque de energia transborda e é quase inesgotável. Quanto mais você pratica, mais gosta e se aperfeiçoa. Por outro lado, há atividades nas quais seu tanque de energia se esgota. Você não aguenta mais aquilo! Aí você foge, enrola, delega, faz qualquer coisa para tirar o job da sua frente. No final, você está acabado, estressado, precisando de um tempo pra recarregar suas baterias. Você sabe do que estou falando, certo?  

Muito bem. Agora imagine que ninguém pode ser 100% assertivo. Há áreas da nossa personalidade com grande energia para certas habilidades e outras nas quais mal sobrevivemos. Costumo dizer que aprendemos o suficiente para não causarmos maiores danos a nós mesmos como, por exemplo, repetir de ano na escola ou provocar situações de perigo. No trabalho é a mesma coisa: somos brilhantes em certas tarefas e um caos em outras. Você também já viu este filme! 

  Vamos continuar com o exemplo da escola. Se você é muito bom em Português, provavelmente não curte Física. E se ama Física, é capaz de não ver sentido algum em Filosofia. Mas seu professor ou seus pais acham que você tem que ser o melhor em tudo. Nas empresas é a mesma coisa. Que diga o seu chefe! E o RH! Assim, ao invés de focar em seus tanques de energia transbordante, valorizando aquilo que você faz muito bem, eles se detêm em melhorar seus pontos fracos.

Ah, mas uma hora isso tinha que mudar. E chegou-se a uma nova forma de gerir pessoas e se autoconhecer: investir nos pontos fortes. Ou seja, se tornar tão bom em algumas coisas que as qualidades compensam os pontos fracos. Isso não quer dizer ser negligente com seus defeitos, em absoluto. Trabalhe seus pontos fracos até o ponto de controle de dano. Seja bom o suficiente para poder assegurar seu lugar e não comprometer seu time e resultados.  Por exemplo: joguei em um time de vôlei na juventude e apesar de não receber a bola em quadra muito bem, tinha uma cortada matadora e fazia ótimos levantamentos. Então meu treinador me compensava na quadra reforçando minha recepção. Entendeu?

Se você é líder de uma equipe ou tem filhos, pense em dar mais e mais estímulos ao que as pessoas têm de bom. Fortaleça as vocações e trabalhe os pontos fracos, para que eles não se deem mal tanto na vida pessoal como na profissional.

Como vou descobrir meus pontos fortes? Fácil! Pense em tudo o que você faz bem e com facilidade. Tudo o que você aprende só de olhar. Suas vocações e aptidões. Aquilo que os outros pedem a sua ajuda e você compreende rápido. Escrever textos, manusear máquinas, consertar coisas, negociar, entender estados emocionais dos outros, vale qualquer coisa.

E saiba que existem ferramentas científicas que podem auxiliar você nesta descoberta. Por exemplo, o WorkPlaceBig5 é um instrumento de avaliação de perfil que ajuda a entender o funcionamento do seu tanque de energia: o que energiza você e como são suas respostas-padrão se comparadas às das outras pessoas. Descobri neste instrumento que, de 0 a 100, eu tenho um resultado de 72 para preocupação. Isso é um traço de personalidade que me faz reagir assim ao menor estímulo. Descobri também que preocupada como eu há apenas 7% da amostra respondente. Isso me aliviou muito e me situou também. Deixei de ser preocupada? Claro que não, mas entendo que sou hipersensível neste aspecto e que, o que eu considerava pouco caso dos outros, na verdade é apenas um parâmetro do meu modo de ser.

Eu me preocupo bem mais que a média. Isso me faz ajustar a percepção e, sobretudo, minha ação. Desenvolvi mecanismos de compensação que me ajudam a lidar melhor com minha preocupação, evitando esgotar meu tanque de energia. Faço check- lists e cronogramas. Percebi que me despreocupo agindo com antecedência, porque fico no controle da situação. Também parei de perturbar (eu acho) as pessoas ao meu redor com coisas que para elas são irrelevantes.  

Para finalizar, se você é líder ou RH, e deseja estimular a alta performance, engajamento e felicidade dos seus colaboradores (ou ainda é um colaborador em busca de autoconhecimento e desenvolvimento), coloque em prática esta poderosa ferramenta. E descubra mais sobre você e a Gestão de Pessoas. Esta é a mais valiosa dica que posso dar!”

Lucimar Delaroli é professora da Integração Escola Negócios, onde ministra o curso  Assessment Center: Processos Integrados para Avaliação de Pessoas. Clique aqui e conheça o programa do curso.

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