Medidas criativas para o sucesso do trabalho remoto ou híbrido

Na integra

Por Tommaso Russo, consultor da Integração Escola de Negócios e professor do curso Cargos e Salários: conceitos fundamentais para profissionais de RH

Ao que parece, o modelo de trabalho à distância seguirá firme e forte mesmo após a pandemia. Apontamos quais iniciativas o RH deverá manter, criar ou aperfeiçoar para manter os profissionais remotos motivados e produtivos.

Desde o início de 2020, impulsionado pela pandemia, o mercado sofreu uma mudança radical na forma de trabalho das pessoas. Mais de 20% delas passaram a atuar de maneira exclusivamente remota enquanto 27% foram ao escritório em ocasiões pontuais, os chamados adeptos do hibridismo. Metade de quem está em trabalho remoto declara-se bem adaptado a esse ambiente.

Detectou-se, então, que o trabalho remoto  pode ser mais produtivo do que o presencial: 51% dos colaboradores e 55% dos gestores acreditam render mais no modelo à distância. A partir daí, a maioria das organizações passou a enxergar o trabalho remoto como uma tendência que permanecerá no mundo pós-pandêmico.

Porém, para o sucesso do trabalho remoto e do modelo híbrido será preciso conservar muitos dos fatores que tornaram mais produtiva essas formas de atuação. A seguir, apontamos as medidas criativas que precisarão ser mantidas, aperfeiçoadas ou criadas pelo RH com o objetivo de reunir as equipes remotas na construção de uma cultura inclusiva e equitativa.

Trabalho remoto facilitado e presencial imprevisível

As empresas devem prover os colaboradores à distância com as facilidades necessárias para a produtividade em casa. Como fazer isso? Por meio de plataformas para reuniões remotas, linhas de internet de alta velocidade, celular corporativo, programas de controle de projetos e atividades, monitores adequados, cadeiras e itens de mobiliário ergonômicos, principalmente para aqueles de menor condição financeira.

Já o período no qual os colaboradores devem estar presencialmente na empresa pedirá mudanças no espaço empresarial. Uma forma de trabalho mais produtiva exigirá ambientes menores, mais silenciosos e com mais privacidade, além de maior flexibilidade no uso de espaços de reuniões, acesso às instalações da empresa quando necessário e a possibilidade de encontros presenciais com fornecedores, cliente e colegas. Enfim, a oportunidade de utilizar a instalação física da organização de maneira imprevisível.

Integração dos colaboradores

O trabalho total ou parcialmente à distância exigiu incrementos nas ações de comunicação interna que devem ser mantidos. Foram reuniões informais entre os colaboradores ou membros de equipes (happy-hours virtuais), mensagens via vídeo do presidente e alta administração para informar a situação da empresa, planos pós-pandemia e reforço dos valores e cultura.

O RH enfrenta desafios na integração de novos colaboradores, muitos dos quais talvez nunca conhecerão as instalações físicas da companhia. Essa necessidade de reforço na comunicação melhora os sistemas digitais internos, onde os profissionais acessam as políticas, autogerenciam benefícios, inscrevem-se em treinamentos, participam de processos de recrutamento interno, solicitam suporte técnico… Além da utilização das redes internas da empresa, muitos desses serviços são disponibilizados para plataformas móveis.

Gestão mais empática

A gestão remota de pessoas é distinta da presencial e atividades-chave intrínsecas aos cargos de chefia foram mais ou menos focadas nesse novo normal. Por exemplo, foi incrementado o check dos progressos da equipe por meio de contatos individuais. À medida em que os colaboradores estão fisicamente distantes, os encontros pessoa a pessoa tornaram-se uma forma importante de orientação e apoio, apesar de acontecer em um clima mais formal do que ocorria nos contatos presenciais. Saiba mais no nosso curso Gestão e Produtividade de Equipes Remotas.

Definir metas claras, reconhecer as conquistas e adotar um comportamento mais empático provaram ser mais eficientes para motivar os colaboradores. Reconhecimento e recompensas foram enfatizadas em detrimento à “cobranças” e ações disciplinares.

As chefias aprenderam a manifestar interesse autêntico pela vida pessoal dos colaboradores. Inclusive, a detectar, à distância, problemas emocionais e familiares, promovendo empatia e compreensão. E, então, em conjunto com o RH, passaram a oferecer suporte especializado. A gestão tornou-se proativamente mais centrada nas pessoas. Naturalmente, essa postura implica em maior consumo de tempo por parte da gestão e em um estilo mais colaborativo, diminuindo a ênfase em aspectos mais diretivos ou de delegação. Passam a ser valorizadas as competências de relacionamento, empatia, negociação e comunicação em detrimento da ênfase em aspectos técnicos dos cargos.

Contratação e retenção de talentos sem barreira geográfica

Os movimentos de troca de emprego podem tornar-se permanentes na pós-pandemia, principalmente entre as gerações mais jovens, já que que a segurança no emprego é mais frágil e as barreiras geográficas tendem a desaparecer. Novas formas de contratação (pessoas vendem serviços ao invés de terem um emprego) em cargos especializados provocam desafios na atração e retenção de colaboradores críticos. À medida em que as pessoas podem prestar serviços para qualquer empresa em qualquer lugar do mundo, aspectos como regionalização, mercado de atuação e porte da empresa não mais definem a remuneração de colaboradores. Veja mais no nosso curso Cargos e Salários: conceitos fundamentais para profissionais de RH. As empresas, vítimas de escassez de algumas funções da área de tecnologia, consideram a contratação de profissionais residentes no exterior. O desafio está na forma de retenção deles.

Empresas antropocêntricas

A “cola” que mantém as pessoas motivadas é a criação de uma cultura de aprendizagem com base em confiança e comprometimento. Isso empodera equipes na direção de maior autonomia e implementa um nível de colaboração no qual elas recebem feedback regularmente, garantindo a adesão das pessoas a esse ambiente novo.

Em uma época em que os empregados estão convivendo com a incerteza, principalmente quanto à continuidade do emprego, adotar uma abordagem centrada em indivíduos é um traço fundamental para o sucesso da organização na gestão de pessoas.

Mesmo após o final da pandemia, é provável que a instabilidade econômica e ambiental continue. Se os colaboradores são mais produtivos administrados dessa maneira, as lições aprendidas com relação a uma gestão mais centrada em pessoas devem continuar em um modelo híbrido.

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