Possíveis caminhos na gestão de pessoas no pós-pandemia

Na integra

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Por Tommaso Russo, consultor da Integração Escola de Negócios e professor do curso Indicadores de RH

A necessidade de confinamento ensinou às organizações que o ser humano deve estar no centro das possibilidades de sobrevivência do negócio em um futuro cada vez mais instável e imprevisível. A Gestão de Pessoas aprendeu algumas lições que deverão permanecer nesse pós-pandemia que se aproxima.

A sobrevivência das organizações pós-pandemia terá foco nas pessoas, como comprovado nesses dois anos de crise, em uma tomada de consciência que não estava tão visível antes. A área de RH foi envolvida de maneira intensa e se responsabilizou por uma série de mudanças que viabilizaram muitos negócios.

A importância do fator humano será a tônica nos próximos anos. E o RH está sendo novamente chamado para o palco. Sim, somos e deveremos ser mais estratégicos e agéis do que nunca, assim como mostramos no curso RH ágil: Metodologias Ágeis Aplicadas ao RH

Cedo ou tarde, as limitações de isolamento causadas pela Covid 19 serão superadas, mas muitas das iniciativas realizadas para a adaptação ao confinamento social permanecerão e exigirão uma nova visão no papel de Gestão de pessoas na organização. A seguir, apontamos algumas práticas surgidas nesse período que devem ter continuidade nas empresas na vida pós-pandemia.

Regime híbrido de trabalho

O teletrabalho foi adotado nas funções que não exigiam a presença física do colaborador nas empresas. A experiência foi positiva na maioria das companhias. Em geral, houve aumento da produtividade e um importante nível de adaptação das pessoas ao chamado “novo normal”.

Por tudo isso, é provável que grande parte dos colaboradores em regime de trabalho à distância continuem assim. Afinal, a flexibilização melhorou a qualidade de vida das famílias. Mas a maioria dos trabalhadores remotos não desejam sê-lo em tempo integral. A presença no ambiente físico da empresa segue como necessária, não só para promover o contato pessoal, mas para a realização de atividades em equipe, reuniões com clientes e fornecedores e para eventos de integração. Porém, a maior parte do trabalho continuará a ser realizado de casa. Ou seja, grande parte das ações de promoção da produtividade e bem-estar implementadas na pandemia devem permanecer.

Investimento em tecnologia

O RH deve passar por uma revolução tecnológica. Haverá necessidade de ferramentas de suporte às rotinas de admissão e desligamento on-line, autogestão pelo colaborador de seus benefícios, identificação de candidatos para contratação via redes sociais, banco de dados sobre o histórico dos colaboradores para efeitos de análise de desempenho, carreiras, movimentações, conhecimentos e habilidades, saúde e segurança, etc. 

Bancos de dados integrados e ferramentas de people analytics devem proporcionar respostas rápidas às demandas da organização relativas às pessoas. A interação entre empresa e colaborador estará baseada, principalmente, em plataformas móveis.

Flexibilização profissional

A instabilidade no emprego formal e a elasticidade experimentada na pandemia criaram, nas pessoas mais bem preparadas e que desenvolvem funções de maior valor intelectual, a necessidade de “trabalhar por conta própria”, ou seja, por meio de empresas individuais. 

É possível, hoje, prestar serviços especializados para empresas em qualquer lugar (inclusive no exterior). A  nova lei trabalhista ainda flexibilizou as modalidades de contratação, reduzindo riscos trabalhistas. Assim, para o preenchimento das vagas técnicas complexas, a área de recrutamento e seleção concorrerá não só com empresas rivais, mas deverá oferecer atrativos para contratar (e, mais difícil, manter) trabalhadores independentes em um mercado profissional altamente comprador.

Foco na saúde mental

Os gestores aprenderam a detectar nos colaboradores, mesmo à distância, aspectos ligados à depressão, desinteresse, relações familiares, adição a drogas e outros distúrbios que prejudicam a capacidade laboral das pessoas. 

Com isso, algumas empresas ofereceram suporte sob a forma de aconselhamento terapêutico com psiquiatras e psicólogos, muitas vezes extensivos aos familiares. Acredita-se que essa tendência se mantenha no pós-pandemia, pois os desgastes da vida atual não serão solucionados no futuro próximo.

Segurança no ambiente de trabalho

Por terem desenvolvido suas funções remotamente, as pessoas vão valorizar mais o tempo no qual trabalharão fisicamente na empresa. Afinal, por exemplo, o local de trabalho ficará mais silencioso, facilitando a concentração, pois os postos serão mais isolados e com distanciamento entre mesas. Os locais de reunião estarão mais disponíveis. Os horários flexíveis evitarão aglomerações nos transportes públicos e facilitarão a administração doméstica e familiar,  além de reduzir as interrupções (maior disciplina na duração, quantidade e agendamento de reuniões, limitação na utilização de plataformas de mensagens).

Em relação às consequências dos profissionais que recusarem a vacina, o RH deverá conduzir as decisões sobre a preponderância da liberdade individual no que diz respeito à proteção da saúde dos demais.

Comunicação interna turbinada

Na pandemia foram reforçadas ações de comunicação interna, seja diretamente entre chefia e subordinado ou por parte da alta administração, envolvendo todos os colaboradores. Criou-se um clima de confiança e houve um grande esforço na integração das pessoas, mesmo entre aquelas que jamais tinham estado pessoalmente nas instalações da empresa. 

Com isso, ocorreu a tentativa de expor, de forma mais transparente possível, a situação do negócio, os planos para o pós-pandemia, a preservação de empregos… Mas, talvez, o fundamental foi o reforço da cultura e valores da empresa e como cada um poderia sentir-se parte importante do negócio. Esse mindset deve continuar e ampliar-se. Novas mídias e plataformas sociais da empresa devem possibilitar que a comunicação seja recebida por todos, simultaneamente, de forma transparente.

Benefícios inovadores

Durante o confinamento, certos benefícios legais, como vale-transporte e vale-refeição, perderam o sentido no trabalho remoto. E, graças às mudanças na reforma trabalhista,  esses benefícios foram transformados em serviços desejados pelos colaboradores, como o fornecimento de cartões pré-pagos emitidos por marketplaces ligados à saúde, educação, alimentação, bem-estar. Essa tendência em direção aos benefícios flexíveis deve manter-se no pós-pandemia.  

Versatilidade nos perfis dos colaboradores

Desde o início da pandemia, as empresas passaram a exigir profissionais com perfis mais flexíveis, aptos a efetuar, velozmente e com foco na empatia pelos colegas e subordinados, alterações nos processos da empresa.  Mesmo no pós pandemia, instabilidades de mercado, alterações no meio ambiente, efeitos da globalização e mudanças nas relações de trabalho causarão ainda mais transformações. Isso exigirá profissionais com competências de características mais soft (relacionamento interpessoal, visão sistêmica, comunicação). A Gestão de pessoas deve trabalhar em ações que contribuem e busquem profissionais com esse perfil.

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