3 dilemas que todo líder enfrenta e como lidar com eles

Na integra

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Por Fabio Eltz, psicólogo e head das Escolas de Liderança e Comunicação da Integração

Embora na rotina de um líder existam dilemas que não se resolvem com nenhuma “fórmula mágica”, há alguns caminhos possíveis para enfrentá-los.

Só porque você se tornou um líder em sua organização, não significa que o piso, às vezes, não cairá ao seu redor. Como líder, lidar com problemas é parte da função – aliás, é bem provável que você foi escolhido ou escolhida para este trabalho justamente porque atua bem na resolução de problemas. Aqui, selecionei três grandes dilemas que as lideranças enfrentam com certa regularidade. A boa notícia? Com o tato e a habilidade, você pode traçar uma estratégia vitoriosa e sair por cima.

O que são dilemas, afinal?

Um dilema é uma situação problemática, em geral com duas soluções contraditórias entre si. Costumam ser casos em que ambas as resoluções podem ser tanto aceitáveis quanto não satisfatórias. 

Vivemos um dilema quando queremos duas coisas ao mesmo tempo. Ao escolher uma, abrimos mão da outra. A liderança geralmente é testada nestes momentos contraditórios.

E, vale lembrar: frente a um dilema, fazer nada também é uma decisão.

O ser humano sempre viveu um dilema entre o que ele quer fazer, o que ele deve fazer e o que ele de fato consegue fazer. Portanto, nem sempre estamos fazendo aquilo que queremos, muitas vezes não queremos fazer o que devemos, outras vezes queremos e devemos fazer justamente o que não conseguimos. 

A própria liderança já oferece um dilema complexo, que é o de sofrer pressão constantemente, mas não poder dividi-la com os subordinados. Seja pressão por resultados, por desempenho ou prazos. Para engajar e conseguir o desempenho necessário, ele precisa saber a dose certa dessa pressão que deve ser repassada aos funcionários.

Dessa forma, o que temos são profissionais que querem se mostrar inabaláveis, entusiasmados e sempre motivados para, assim, contagiar sua equipe. Mais do que tudo, que devem projetar segurança e amortecer qualquer pressão e negatividade. Essa postura e exemplo, sozinhos, já resultam em importantes dilemas que o líder acaba tendo que enfrentar no dia a dia.

Dilema 1: Delego ou faço eu mesmo?

Este é um dilema constante. Em geral o líder tem origem operacional e conhece o trabalho de sua área e consegue fazê-lo com rapidez e precisão. Mas este não é mais o seu papel. O dilema é focar no trabalho de gestão e liderança, e não em contribuições técnicas ou específicas, deixando de valorizar seu trabalho funcional.

Parece mais fácil, rápido e lógico ele mesmo fazer. Mas, agindo dessa forma, nunca terá alguém capacitado na equipe. Quando os prazos estão apertados, o líder tende a fazer aquilo que não é o seu trabalho. Quer garantir os resultados da área a qualquer preço. E ainda tem um apego pessoal de achar que ninguém executará aquela tarefa tão bem como ele. Ou então o outro fará diferente de como ele pensa ser a maneira correta de fazer. Os prazos apertados e falta de alguém capacitado servem como desculpa para o líder seguir fazendo trabalhos operacionais, que não deveriam mais ser sua responsabilidade. 

Como lidar com esse dilema: treine sua habilidade de delegar. Acredite, vale a pena. Comece definindo o que delegar, mesmo que ainda não saiba para quem ou como o fazer. Depois, observe sua equipe, entenda quem pode arcar com a tarefa e quem a faria bem. Logo perceberá que sua mente naturalmente começará a encontrar soluções para os próximos passos.  

Dilema 2: como definir o que é prioridade?

A primeira parte do dilema é que o líder pode ter as suas prioridades, mas elas se chocam com as prioridades da área e da empresa. Ele até pode programar seu dia definindo o que gostaria de fazer, mas entram prioridades por todos os lados. Dá até para dizer que o líder não tem prioridades, mas sim administra um conjunto de prioridades suas, das outras áreas, de seu superior, dos clientes e mais algumas. Os problemas e emergências são constantes, alterando toda a programação estabelecida. 

Além das prioridades do líder, há também o trabalho de gerenciar a equipe, afinal, é o líder normalmente quem define o foco do trabalho de todos. 

Assim, um dos dilemas do líder é como atender prioridades tão diferentes. Manter o interesse em questões estratégicas e culturais versus atender todas as demandas do operacional. Motivação e desenvolvimento da equipe, melhoria de processos, análise e solução de problemas recorrentes, desenvolvimento de um sucessor…Tudo é prioridade que compete com a entrega do resultado semanal e mensal. 

Como lidar com esse dilema: tentar controlar ao máximo o seu dia, mesmo que consiga gerenciar não mais que 60% dele. Isso não significa ser controlador ou intolerante frente a mudanças de planos. Significa, sim, ter um mínimo de objetivos para cumprir no dia – caso contrário, você pode virar um pronto-socorro que só atende emergências, conforme elas vão surgindo. Para isso também é importante negociar as prioridades antes delas se tornarem urgências. 

Dilema 3: impor disciplina ou focar na motivação?

Nos tempos atuais falar em disciplina pode parecer autoritarismo. Mas imagine um estudante de vestibular de medicina que não tenha disciplina. Imagine um atleta sem disciplina. No mundo corporativo, no entanto, a tendência é trabalhar com motivação. 

Embora excelente, a motivação por si só costuma exigir um enorme esforço para garantir resultados. E não é fácil de ser inspirada. Assim, um dos dilemas constantes da liderança é saber como conduzir a equipe: se impondo disciplina ou dependendo mais da motivação. 

Para ter motivação é necessário um estado mental ou emocional particular para que uma tarefa seja realizada. Claro que quando a ação se condiciona pelas emoções, esperar um estado de humor ideal se torna uma forma de procrastinação. Além disso, a motivação tem validade restrita, precisa ser constantemente revigorada.

A disciplina separa o funcionamento externo dos sentimentos e mudanças de humor.

O ponto é cortar a ligação entre emoção e ação, fazendo o que precisa ser feito. É como uma máquina que uma vez colocada em funcionamento, passa a fornecer energia ao sistema. Disciplina não exige vontade, é hábito. 

Para um líder, impor disciplina pode parecer antiquado, mas existem maneiras de fazer isso sem impactar negativamente a equipe, deixando ainda espaço para a motivação.

Como lidar com esse dilema: adotar métricas e indicadores de desempenho pode ajudar a equipe a não depender tanto de motivação. Trabalhos rotineiros podem entrar em linha de produção e formar hábitos que servem como padrão. É melhor deixar a motivação para situações mais diferenciadas, aquelas para as quais você precisa acionar partes mais nobres do cérebro, que exigem mais criatividade ou persistência.

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