Retrospectiva: os principais destaques do blog em 2019

O ano está terminando, mas vamos aproveitar este momento para relembrar os principais destaques do blog em 2019. Foram vários eventos importantes, como o Workshop de Notáveis e o Road Show, entrevistas, e-books e muito mais. Então, não deixe de conferir.

Notáveis

O Workshop de Notáveis já é um evento tradicional da Integração, promovendo o encontro dos clientes com pensadores renomados em suas áreas de atuação. Neste ano, o Workshop de Notáveis recebeu:

CBTD

Entre os dias 20 e 22 de novembro, a Integração e a Conquistar estiveram presentes no 34º Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD). Durante os três dias, muitos dos cerca de 5 mil congressistas e visitantes do CBTD passaram pelo nosso estande para pegar um exemplar do Panorama do Treinamento no Brasil 2019/2020 e também os novos catálogos com a programação completa dos cursos no próximo ano.

Curso de BP agora com cinco dias

O curso Formação em Consultoria Interna de RH — Tornando sua Ação Estratégica como Business Partner, um dos mais procurados e bem avaliados da Integração, ganhou mais um dia e passou a ser oferecido com duração de 40 horas, divididas em cinco dias. Esse foi um dos principais destaques do blog em 2019. “Quando o treinamento começou, ele era realizado em três dias. Mudamos para quatro porque sentimos que havia conteúdo que os alunos precisariam receber. Em seguida, mais recentemente, vimos que faltava um dia para a discussão de um case prático e uma atividade de fechamento”, contou Meg Chiaramelli, head das escolas de RH, Vendas e Marketing e do Núcleo de Coaching da Integração.

Road Show

Em 11 de setembro, a Integração recebeu cerca de 100 clientes para a edição 2019 do Road Show. Neste ano, o tema foi Aprendizagem Corporativa 4.0, e os clientes que compareceram puderam, então, acompanhar apresentações sobre conceitos, tendências e cases relacionados ao tema. O evento contou ainda com plenárias que aprofundaram o assunto.

Visão 4.0

Nos dias 8 e 9 de agosto, a Integração promoveu a primeira edição do VISÃO 4.0. O evento, pensado para instigar as lideranças a enxergarem seu papel por outros ângulos, teve cinco eixos: arte, futurismo, neurociência, intuição e emoção. “Tivemos a presença de um grupo muito interessante de profissionais de diferentes formações e áreas. Dessa forma, acredito que foram dois dias de atividades vivenciais que proporcionaram aos participantes um aprendizado leve e intuitivo”, disse Fernando Cardoso, sócio-diretor da Integração e idealizador do VISÃO 4.0 para líderes.

Conquistar premiada no México

Também em agosto, a Conquistar, empresa do Grupo Integração, recebeu o importante prêmio de maior venda individual em um único projeto. A responsável pela negociação com o cliente para a concretização da venda foi Daniela Serban, executiva da área comercial da Integração. O prêmio foi entregue no México pela Catalyst, a maior rede de jogos corporativos do mundo, da qual a Conquistar faz parte. O jogo aplicado pela Conquistar, em projeto voltado para 6 mil colaboradores de uma grande empresa de telefonia, foi o Go Team.

Entrevistas

Entre os principais destaques do blog em 2019 estão as entrevistas. Uma delas foi com Pedro Mandelli, que tratou de vários aspectos sobre o papel do líder. Teve também entrevista com os responsáveis pelo curso Como Estruturar um Sistema de Educação Corporativa: Meg Chiaramelli, Marcelo Fernandes, head de Aprendizagem Corporativa na Integração e diretor-executivo da Mentor Interativa, e Beto do Valle, diretor-executivo da Impakt Consultoria e consultor na Integração.

Terceira edição do Game Day

Evento gratuito de degustação de jogos da Conquistar, o Game Day aconteceu em 31 de maio. Essa terceira edição, também um dos principais destaques do blog em 2019, apresentou aos clientes novos jogos do catálogo: Infinite Loop, Bot Creator e City Build. “O Game Day é interessante porque é uma oportunidade de trazer os clientes para conhecer um novo produto e de sentir a percepção deles. Os jogos que apresentamos já estão prontos, mas a avaliação dos clientes pode nos levar a aprimorá-los”, explicou Luis Zanin, head da Conquistar.

Go Team Especial de Páscoa

Na véspera da Páscoa, a equipe de colaboradores da Integração participou de uma atividade que movimentou todos os andares do Polo Itaim, sede da empresa, em São Paulo. Eles foram levados a uma caça aos ovos de chocolate, numa ação organizada pela equipe de marketing da empresa. Além de divertida, a atividade foi mais uma forma de integrar os diferentes setores. Para isso, a caça dos ovos foi feita com o auxílio do Go Team, jogo que pode ser utilizado para melhorar a comunicação e a relação entre os profissionais, incentivar o pensamento criativo e a busca pela solução de problemas.

Dia especial para as mulheres

No Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, a Integração teve um evento especial. As mulheres da empresa, que representam mais de 70% dos colaboradores, participaram de uma palestra com a escritora e coach Ana Kessler. Ao ressaltar as características femininas, como a capacidade de observar atentamente e, a partir disso, criar soluções, Ana destacou o poder das mulheres para enfrentar desafios. “Além de conseguirem aprender enquanto assumem novas funções, as mulheres sabem compartilhar”, disse.

Café Panorama

O ano de 2019 começou com um café de apresentação dos dados da pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2018/2019. Mais de 50 profissionais das áreas de recursos humanos e treinamento e desenvolvimento (T&D) tiveram a oportunidade de conhecer e discutir os dados, que foram apresentados por Fernando Cardoso.

Nova certificação do curso de coaching

O Curso de Formação Sustainable Coaching da Integração conquistou uma importante certificação, o Accredited Coaching Specific Training Hours (ACSTH), da International Coach Federation (ICF). Fundada há mais de duas décadas, a ICF é uma instituição respeitada internacionalmente e que se baseia em um código de ética robusto e em uma definição clara sobre a prática do coaching. “Ter esse certificado, portanto, põe a Formação Sustainable Coaching, que ministramos aqui na Integração, numa lista seleta de programas de formação específica em coaching reconhecidos pela ICF. Além disso, o certificado reconfirma a aderência do curso às diretrizes e definições de coaching da ICF, bem como o foco no ensino das competências para a prática também estabelecidas pela ICF”, explica Rodrigo Aranha, facilitador do curso ao lado de João Luiz Pasqual.

Grupos das escolas no Facebook

Começamos 2019 com a criação de grupos no Facebook para todas as escolas da Integração. A ideia foi, dessa forma, estimular o compartilhamento de informações entre quem já participou dos cursos da Integração ou tem interesse nos temas específicos de cada grupo. Então, participe você também.

E-books para baixar

Algumas mudanças de comportamento podem ser úteis para o desenvolvimento de um líder. É o que mostra Meg Chiaramelli em um e-book que disponibilizamos gratuitamente para nossos clientes e leitores do Na Íntegra. Portanto, não deixe de baixar aqui o e-book Dez Atitudes para Ser um Líder de Sucesso.

Produzimos também um e-book para explicar como nosso Método i+5 funciona e como sua empresa pode tirar proveito dele.

Liderança em 360 graus com Pedro Mandelli

O dia 27 de novembro marcou a última palestra do Workshop de Notáveis da Integração em 2019. Quem encerrou a edição deste ano foi Pedro Mandelli com a palestra “Exercendo a liderança em 360 graus”. Mandelli é professor da Fundação Dom Cabral nas áreas de liderança, comportamento organizacional e gestão de pessoas e de mudanças. Ele também é um dos mais importantes consultores de empresa do país, além de já ter conduzido processos de mentoring e counseling para mais de 200 executivos.

Para uma sala cheia de profissionais de diferentes empresas e setores, Mandelli usou bastante humor e analogias interessantes para exemplificar questões relacionadas ao papel da liderança e, portanto, prendeu a atenção da plateia. Ele começou sua palestra abordando as dificuldades e a complexidade do ambiente corporativo para, então, apontar aos participantes caminhos para lidar com esse cenário. 

De acordo com Mandelli, cerca de 70% do comportamento dos profissionais nas empresas é determinado pela teoria do condicionamento. Ou seja, as pessoas são condicionadas a bater metas e vislumbram bônus como recompensa. Ele lembrou ainda a importância de um fator chamado accountability, um instrumento que serve para deixar claro aos profissionais o que eles ganham ou perdem se atingirem ou não suas metas. 

A importância de liderar a equipe e influenciar o topo

Ao abordar mais especificamente o tema da palestra, Mandelli tratou da importância de exercer a liderança em 360 graus. “Não basta liderar somente a equipe. Isto é, o líder precisa estar conectado com os pares e ser capaz de influenciar o topo”, disse.

O professor afirmou ainda que é preciso – e possível – aprender a liderar. “A vida ensina a conviver, mas não a liderar. Exercer a liderança não é difícil. É diferente. Mas exige treinamento”, ressaltou. Um dos primeiros passos para aprender a liderar é o autoconhecimento. Mandelli citou ferramentas de assessment como ponto de partida para quem quer se conhecer melhor. 

Outro aspecto importante destacado por Mandelli foi a manutenção de certos rituais no exercício da liderança, como as reuniões, que, segundo ele, não podem ser maçantes. Pelo contrário, elas precisam ser instigadoras, e uma das fórmulas para isso é mudar, de vez em quando, a dinâmica dos encontros com a equipe.

Mandelli citou exemplos de executivos que optaram por, durante um período, fazer reuniões ao ar livre com o time ou trocar a sala e o horário da reunião, além de baralhar a ordem de apresentação das pautas. “Quem lidera trabalha com a emoção dos liderados. Dessa forma, a repetição, fazer tudo sempre do mesmo jeito, tira a emoção da jogada”, explicou. 

Como dar feedback

Por fim, o professor afirmou que os líderes devem estar atentos aos feitos dos liderados e ressaltá-los sempre que possível. Quem entregou um trabalho muito bem executado não quer ouvir parabéns. “Dizer parabéns é o que aprendemos na convivência com as pessoas. Um líder deve falar algo que compare o resultado entregue, mostrando que aquele é superior”, explicou.

Mandelli lembrou que é importante fazer o mesmo com quem teve desempenho inferior. “Pode-se dizer que ‘este trabalho está pior do que você costuma entregar. Talvez eu não o tenha orientado bem ou faltou vontade. Da próxima vez, vou pautá-lo melhor e você vai fazer com mais determinação”, exemplificou. 

Dicas de leitura de Mandelli

Para finalizar, Mandelli deu aos participantes algumas dicas de leitura. Listamos a seguir três livros recomendados por ele para quem está no caminho da aprendizagem da liderança:

E para conhecer alguns dos livros do professor Mandelli, acesse aqui

Líderes não nascem prontos. Aprendem a liderar, diz Mandelli

No próximo dia 27, o Workshop de Notáveis da Integração receberá Pedro Mandelli com a palestra “Exercendo a liderança em 360 graus”. Além de professor da Fundação Dom Cabral nas áreas de liderança, comportamento organizacional e gestão de pessoas e de mudanças, Mandelli é um dos mais influentes e reconhecidos consultores do país. Ele também já conduziu processos de mentoring e counseling para mais de 200 executivos. Nesta entrevista ao blog Na Íntegra, Mandelli fala sobre o déficit de líderes nas organizações e o papel das lideranças no cenário atual de transformações rápidas e constantes. E ele garante: líderes não nascem prontos, aprendem a liderar.

Professor Mandelli, o senhor afirma que a demanda por liderança excede a oferta. A que se deve esse déficit de líderes? 

Entre 1990 e 2000 houve uma grande transformação das empresas com o aumento da terceirização, das fusões e aquisições e a redução de níveis hierárquicos. Isso fez com que as organizações enxugassem seus quadros, e isso exigiu que os gestores buscassem a excelência na execução com um contingente menor de pessoas. Todos se voltaram para seus processos internos para conseguir tirar o melhor deles. O resultado desse cenário é que avançamos muito em termos de capacidade de execução. Só que as pessoas mudaram. Elas requerem líderes que as impulsionem emocionalmente, que criem ambientes que despertem nelas o desejo de realizar mais. 

Os colaboradores das empresas não querem mais fazer algo só porque os chefes mandam. Houve, portanto, uma transformação na necessidade dos profissionais. Ou seja, ninguém admite mais um chefe que diga exatamente o que fazer. Os profissionais querem espaço, dar opinião e oportunidade para crescer. É aqui que entra a liderança. O líder deve conseguir que cada colaborador estabeleça uma relação com seu autodesenvolvimento e com a performance que a empresa exige. Ele deve criar um espírito de time. No entanto, o chefe que veio de uma formação apenas de execução não sabe fazer isso. Falta a ele o espírito de liderança, que agora tem conceitos, técnicas, táticas e truques novos. Isto é, falta compreender que líderes não nascem prontos, precisam aprender a liderar. 

As empresas têm indicadores dessa falta de lideranças preparadas para lidar com esse novo perfil de colaborador?

Essa necessidade está estampada nos altos índices de turnover, em pesquisas de engajamento e nas doenças organizacionais. Você nota que a doença da década é a depressão. Ela está presente na sociedade como um todo, mas também está muito ligada ao ambiente organizacional, que está deteriorado. Há algumas pesquisas que apontam que a causa da demissão de muitos profissionais é o chefe, não a empresa. Uma companhia pode estar cheia de problemas e de desafios: esse é um ótimo ambiente para quem quer empreender. Mas se o chefe não sabe liderar, só consegue mandar fazer as coisas, o ambiente deixa de ser desafiador e torna-se tóxico, ou seja, é a qualidade da liderança que determina, em grande parte, a retenção de talentos. 

Pelas suas colocações, concluímos que o papel do líder mudou no cenário atual. Como ele deve agir?

O líder tem de desempenhar três tarefas básicas. A primeira é manter o senso de urgência da equipe sem, no entanto, deteriorar seu moral. Senso de urgência é diferente de pressão. Ele representa ter consciência do risco pelo resultado. A estratégia organizacional e a busca por resultados devem ser transformadas em legados do grupo. Para isso, o líder precisa incutir nos colaboradores o senso de posse do trabalho (ownership), para que cada um se sinta dono do próprio trabalho. Ele tem ainda que implantar a accountability, criando medições e desafios, e deixar claro o que os profissionais ganham e o que perdem se atingirem ou não as metas. 

A segunda tarefa é manter o esforço de alinhamento das pessoas aos valores organizacionais e aos desafios. Trata-se do orgulho de pertencer. E a terceira consiste em manter a equipe em estado de alerta. Isso pode ser feito por meio de algo que faz parte do rol de rituais da liderança: reuniões. Quando um líder realiza encontros estimulantes, ele tem um grupo entusiasmado.

Ainda dentro dessa caixinha do estado de alerta há algo fundamental: o líder deve dar sinais claros para quem vai bem, para os medianos e para quem vai mal. Os liderados observam várias características do líder, mas a que mais apreciam é o senso de justiça. Quando um líder trata todos da mesma forma, não está sendo justo. E, se ele trata da mesma maneira alguém que faz a diferença na equipe e alguém que entrega pouco, corre o risco de transformar um colaborador de alta performance em mediano. Ou seja, a equipe estará nivelada pela média. Liderar não é um ato popular. O papel do líder é extrair alta performance e fazer com que as pessoas queiram desempenhar suas funções de maneira cada vez melhor. 

Alguém que se tornou líder, mas tem esse perfil de execução, pode adquirir essas habilidades desejadas de liderança que o senhor descreveu?

Como afirmei anteriormente, líderes não nascem prontos. Aprendem a liderar. Nas cerca de 400 pesquisas existentes no mundo sobre liderança há linhas completamente distintas. A mais sólida afirma que 30% da nossa capacidade de liderança vem da formação. Os outros 70% são conquistados com o aprendizado. Isso é uma boa notícia! Mesmo quem não nasceu com perfil de liderança tem 70% a ser aprendido. Quem não vai buscar conhecimento e acha que pode liderar somente com o que lhe é inato vai contar com a sorte: saber conviver não quer dizer saber liderar! E as pessoas aprendem naturalmente a conviver!

E tem mais: até os 30 anos de idade, todos nós aprendemos basicamente a conviver. Tem muita gente que ocupa posição de liderança sabendo apenas conviver. Por isso temos tantos péssimos líderes. Fazendo um paralelo, é como se alguém vivesse dentro de uma oficina, recebesse um martelo e uma ordem para fazer algo com ele. A pessoa sabe o que é o martelo, mas não entende bem como usá-lo. Vai precisar aprender para que serve e em que situações utilizar essa ferramenta. Para ser líder, não é necessário ter um arsenal de ferramentas, mas precisa saber a qual recorrer em diferentes situações. 

São muitas as ferramentas à disposição da liderança?

Quem fez a melhor definição sobre ferramentas de liderança foi um professor que eu tive em 1990 na Universidade de Virginia, nos Estados Unidos. Ele dizia que ensinar liderança é ensinar um monte de coisinhas. Não é uma coisa grande, é um monte de coisinhas. É como abrir uma caixa de ferramentas e saber qual escolher para a finalidade certa. Você pega uma chavinha aqui, uma broca ali. Mas é preciso conhecer a caixa. 

Vou dar um exemplo. Anteriormente, mencionei que o líder, para ser justo, deve tratar de maneira diferente as pessoas. Para isso, ele precisa olhar sua caixa de ferramentas e montar uma lista de reconhecimento e outra de gestão de consequência. A empresa não tem isso pronto. É tarefa do líder desenvolver esses aspectos. Sobre feedback, o que o líder diz para alguém que teve um feito fantástico? Deve dar os parabéns? Não, pois isso faz parte apenas do nosso aprendizado de convivência. Quando a pessoa não vai bem, como dar esse feedback? É na caixa de ferramentas que o líder adquiriu ao se aperfeiçoar que ele vai encontrar as respostas.

Num contexto de alta performance, em que é preciso desenvolver o senso de urgência, é possível para o líder conciliar a entrega de curto prazo com uma visão estratégica?

Há vários níveis de liderança e não podemos cometer o erro de pôr todos num grupo só. O que tem de estratégico para um líder que está no chão de fábrica comandando 30 operários numa linha de produção? O mais estratégico para ele seria aprimorar o que faz e garantir a segurança. Às vezes, ele não tem nem o controle da velocidade do processo.

Já no topo da pirâmide, há um líder que está mais preocupado com o negócio em si e lidera diretamente poucas pessoas perto dele. Mas ele precisa pensar estrategicamente sobre, por exemplo, como motivar um batalhão de pessoas. Há líderes no topo que têm 5 mil colaboradores abaixo dele. No meio, temos a gerência intermediária, que tem tanto atribuições de líder de execução, quanto o papel de participante ativo ou reativo de estratégias que vêm de cima. Eu diria que a gerência intermediária tem um papel nobre, mas é o mais complexo em termos de liderança. 

Por que estar na posição de liderança intermediária é tão complexo?

A ponte balança muito nessa posição. A média gerência tem de dirigir para baixo, trabalhar para o lado com os pares e ser capaz de influenciar o topo. É uma liderança atuando em 360 graus. Acredito, inclusive, que a passagem para a média gerência deveria ser monitorada com a presença de um mentor. O profissional, muitas vezes, é ótimo na sua posição operacional e se lança numa posição em que entra a parte estratégica, algo que ele não está acostumado. Ele precisa de um ajuste de comportamento e de perfil. O mentor pode ser um grande aliado nesse processo de crescimento do líder já que o tempo para ele aprender a fazer a diferença num ambiente novo é muito curto – assim se perdem ótimos supervisores e se ganham péssimos gerentes. Todos já ouviram essa frase! 

Em palestra, Mario Sergio Cortella e Fernando Cardoso mostraram por que a liderança é uma arte

Um dos eventos mais esperados do ano na Integração é a palestra do filósofo Mario Sergio Cortella, no calendário do Workshop de Notáveis. No último dia 13, Cortella, mais uma vez, encantou uma plateia de cerca de 100 líderes para falar sobre a Arte de Liderar.

Neste ano, a palestra teve uma novidade. Quem conduziu a abertura foi Fernando Cardoso, sócio-diretor da Integração. Fernando, que também é escultor, contou como concilia as duas carreiras e mostrou como a arte está conectada ao tema da liderança. “As atividades operacionais estão sendo eliminadas neste momento em que vivemos a chamada revolução 4.0. Isso faz com que os profissionais sejam valorizados não só por capacidades técnicas, mas, cada vez mais, pela sensibilidade, pela capacidade de sentir emoções e deixar aflorar a sua força criativa capaz de levá-lo a deixar sua marca no mundo”, disse.

“Muito boas as palavras do Fernando. Nós, como líderes, precisamos pensar como conciliar esses ensinamentos sobre arte com o dia a dia e a vivência com as pessoas. A liderança não está isenta de um viés de emoção. Esse olhar sobre a arte pode nos ajudar a vencer os desafios do mundo corporativo”, afirmou Nelson Zaha, coordenador de TI da Nexa Resources.

Fernando instigou os líderes presentes a responder o que é arte. A partir desse gancho, Cortella aprofundou as reflexões sobre a arte e sua relação com o papel dos líderes. “Às vezes pensamos que a arte é algo lateral de nossa vida. Pelo contrário, ela é central e permite que a gente enxergue o mundo de forma diferente”, disse. Liderar é uma arte, segundo Cortella, porque o líder tem a missão de pegar algo bruto e polir para apresentar resultados surpreendentes.

O filósofo observou que existem métodos e técnicas para a liderança, mas que, como na arte, o líder precisa agir sem buscar uma mera repetição da realidade. “O que os artistas fazem não é copiar a realidade. É, acima de qualquer coisa, transformar a inspiração que vem da realidade em algo novo”, disse. Nesse processo, a dúvida faz parte do contexto e serve como ponto de reflexão. “Alguém que tenha a intenção de liderar processos, projetos e pessoas não está isento de dúvidas. Mas é alguém que faz da dúvida uma oportunidade para se elevar o resultado, buscando a excelência”, afirmou.

A ideia que perpassou a palestra de Cortella foi que a arte de liderar passa pela capacidade de ultrapassar o óbvio e de estimular as pessoas ao redor a darem o melhor de si. “O verdadeiro líder não forma seguidores, forma novos líderes”, afirmou. “Gostei bastante da palestra. Ela me fez pensar muito sobre a questão da liderança, a necessidade de se aperfeiçoar sempre, além de buscar um novo olhar a respeito das pessoas que trabalham conosco. Cortella nos deu muitos pontos para refletir e agora é pensar como pôr esse ensinamento em prática no dia a dia”, disse Glauce de Oliveira Alves, chefe de setor da área de Treinamento da Câmara Municipal de Barueri.

Workshop de Notáveis 2019 começou em grande estilo com Eugenio Mussak

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) dedicou um livro a seu filho. Em Ética a Nicômaco, o filósofo grego deixou três perguntas para que o filho refletisse diariamente como forma de alcançar uma vida virtuosa e feliz. 

  • Quem sou eu?
  • Quem eu gostaria de ser?
  • O que eu preciso fazer para me tornar quem eu quero ser?

Foi com esse ensinamento deixado pelo discípulo de Platão que o educador Eugenio Mussak abriu sua palestra, na semana passada, no Workshop de Notáveis da Integração. Mussak, que é um dos mais renomados pensadores brasileiros de temas relacionados à gestão, falou sobre Inteligência Competitiva para Liderança. 

O leitor deve estar se perguntando o que as reflexões de Aristóteles têm a ver com o assunto da palestra. De acordo com Mussak, tudo. “A ideia é que a resposta a ‘quem eu gostaria de ser’ seja diferente a cada dia. Isso significa que tenho consciência da necessidade de desenvolvimento”, disse Mussak. “Ao propor refletir sobre o que é preciso fazer para se tornar quem a gente gostaria de ser, Aristóteles introduziu o pensamento estratégico, que parte da avaliação da situação atual e aponta caminhos para chegar ao que se deseja no futuro”, explicou.

No mundo do trabalho, ser competitivo faz parte desse processo de crescimento. Das discussões que Mussak propôs aos líderes presentes, as respostas sobre o que significa ser competitivo apontaram para: conseguir se manter no mercado, apresentar diferenciais, ter capacidade constante de evolução. “Nem todos são naturalmente competitivos, mas os profissionais devem indagar como podem ser competitivos dentro do padrão que a personalidade de cada um permite”, disse Mussak. 

Múltiplas inteligências

Além de uma profunda explanação sobre o conceito de competitividade e sua evolução ao longo do tempo, Mussak também abordou a existência dos diferentes tipos de inteligência. Quem desenvolveu a ideia de múltiplas inteligências foi o psicólogo americano Howard Gardner, da Universidade Harvard. De acordo com ele, existem ao menos oito tipos de inteligência e nenhuma delas deve ser desprezada:

1 – Lógico-matemática: associada à capacidade de trabalhar com a matemática, utilizar fórmulas e desempenhar raciocínio lógico.

2 – Naturalista: relacionada ao interesse pela natureza, à familiaridade com as plantas e animais.

3 – Espacial: habilidade para compreender figuras, formato de construções ou dimensões de terrenos, tornando fácil lidar com mapas e plantas, por exemplo. 

4 – Corporal: é a inteligência dos atletas, bailarinos, artesãos e até mesmo dos cirurgiões. Pessoas com essa inteligência têm equilíbrio, flexibilidade, coordenação e sabem utilizar o corpo para expressar emoções.

5 – Musical: típica de quem é sensível a notas e timbres, não só de instrumentos, mas também de sons da natureza. 

6 – Interpessoal: ligada à capacidade de se relacionar com outras pessoas, demonstrar empatia e compreender o que os outros querem passar. 

7 – Intrapessoal: relacionada à inteligência emocional, está presente em quem desenvolve a autocompreensão e a autoestima. 

8 – Linguística: presente em quem tem facilidade de aprender idiomas, domina as palavras e a escrita, além de conseguir falar de forma clara e precisa. 

Mussak explicou que alguém pode ter um ou mais desses tipos de inteligência e destacou que cada uma delas tem seu peso. O importante, conclui-se da participação de Mussak no Workshop de Notáveis, é saber identificar suas inteligências e seus pontos fortes, as competências que precisam ser trabalhadas, além de estar atento à necessidade de aperfeiçoamento constante, já que vivemos na era do conhecimento. Dessa forma, é possível manter-se competitivo no mundo atual. 

Fique atento às próximas paletras do Workshop de Notáveis.

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