O que é comunicação não violenta

Quando falamos em comunicação não violenta, tem quem pense se tratar da maneira como se comunica alguém que é calmo e conversa mansamente. Mas ela não se resume à entonação da fala. A comunicação não violenta é uma metodologia criada pelo psicólogo americano Marshall Bertram Rosenberg. Em sua pesquisa, ele se questionou por que algumas pessoas são violentas e outras não, e chegou à conclusão de que, na realidade, todos somos violentos

Quando dou essa explicação em algum treinamento, sempre tem alguém que diz: “é verdade, há dias em que perco a cabeça”. Nós associamos a violência a algum tipo de agressividade, seja física ou verbal, e não nos damos conta de que até mesmo a passividade pode estar ligada a ela. Por exemplo, quando alguém do nosso lado precisa de ajuda e o rejeitamos, estamos agindo de forma violenta. Pessoas que falam baixo e calmamente também podem ser violentas ao dizerem coisas que machucam o outro. Há aquelas que não falam o que gostariam, mas induzem os outros a falar, gerando fofoca ou tornando a questão ainda mais conturbada. 

Passividade gera conflito 

A passividade pode ser uma grande alavanca para a violência. No mundo corporativo, é comum ver pessoas passivas, que não resolvem os conflitos por medo de falar o que pensam e, assim, ficar mal com algum colega ou perder o emprego. O resultado disso é a geração de conflitos ainda maiores. 

Vamos pensar num exemplo de como a passividade vira uma bola de neve para os conflitos: duas colegas de trabalho têm uma discussão e uma delas decide que não vai mais tocar no assunto porque não quer que a outra fique chateada. No dia seguinte, ela chega como se nada tivesse acontecido e cumprimenta a colega como faz todas as manhãs. Só que a questão entre elas não foi resolvida. A colega sente algo de estranho naquele cumprimento e ressente que a outra, em vez de conversar, prefira fingir que nada aconteceu. Como acredita que a outra está diferente, também passa a se comportar de forma distinta. A que havia decidido não falar mais sobre a discussão fica magoada ao pensar que foi nobre ao não querer brigar, mas acha que a outra não entendeu e adotou um comportamento esquisito com ela. Decide, então, não falar mais com a colega. O que poderia ser resolvido com uma boa conversa em que ambas estivessem abertas e desarmadas, acabou com o rompimento de uma relação graças à passividade das duas colegas.

É preciso enxergar o todo 

Antes de mais nada, em todas as situações, precisamos deixar o egocentrismo de lado. Nem tudo é sobre mim ou contra mim. Um outro exemplo: quando enviamos uma mensagem para o WhatsApp e vemos que a pessoa já recebeu e leu, mas não retorna, começamos a pensar que ela não deu importância, que não nos priorizou e mais um monte de coisas. O correto seria tirar o foco de nós mesmos e pensar que, de repente, nosso interlocutor está superatarefado ou simplesmente não está a fim de responder naquele momento porque tem outros temas mais urgentes na cabeça. 

A boa notícia é que Rosenberg destacou nosso lado violento, mas observou que também temos um lado compassivo natural. Foi a partir dessas conclusões que ele criou a comunicação não violenta. De maneira simplificada, a comunicação não violenta significa pôr em prática a empatia que nos habita para ir além do que parece óbvio. A comunicação não violenta começa quando decidimos enxergar todo o cenário e compreendemos que nem sempre somos o centro da questão. Precisamos, em todas as situações, nos colocar no lugar do outro. 

Quer saber mais?

Fernanda abordou mais detalhadamente o assunto em uma live no Facebook da Integração. Assista

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Veja o vídeo da autora sobre a história do melão. Só clicar aqui

Para o Na Íntegra, Fernanda também escreveu sobre storytelling. Leia o artigo. 

Na Integração, Fernanda ministra o curso Comunicação não Violenta: : Crie Conexões e Relacionamentos.

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Aprenda de vez a dar feedback

No mundo corporativo, uma das palavras mais utilizadas tem origem na língua inglesa: feedback. Todo mundo já sabe seu significado, mas, não raro, líderes têm dúvidas sobre como dar feedback para seus liderados. “No nosso Programa de Desenvolvimento de Lideranças (PDL), temos um momento para abordar o tema. Sempre que chega nessa parte do curso, os profissionais destacam o quanto ter de dar feedback os preocupa”, conta Fabio Eltz, head das escolas de Liderança e Comunicação da Integração. “Nossa origem latina nos faz colocar muita emoção em cima de momentos como o de conversar com alguém sobre o desempenho dele no trabalho. Há o medo de ser mal interpretado, de não saber falar ou ainda da reação do outro. Não precisa ser assim”, observa Fabio.

Não à toa, o feedback é considerado uma ferramenta de gestão de desempenho. E é assim que deve ser visto. Ele faz parte das atribuições do gestor, que deve entender que a qualidade e a quantidade de feedbacks dados à equipe vai impactar na sua relação com ela. “Essa conversa pode acontecer sempre, depois de alguma situação pontual, ou quando algum comportamento está comprometendo o desempenho do colaborador. O ideal é não deixar tudo somente para aquele feedback anual e oficial da empresa”, afirma Fabio. “A ausência é que não pode ocorrer, pois isso impacta na produtividade, na motivação e até na autoestima dos profissionais”, alerta. 

Vantagens do feedback

“Costumo dizer que o feedback é um elogio ao potencial. Quer dizer, se o chefe tirou tempo para apontar em que devo mudar e me desenvolver, é porque acredita que tenho potencial para ir além”, diz o head da Integração. A prática traz ainda muitas vantagens para o ambiente de trabalho. Veja o que aponta Fabio:

  • Ajuda no desenvolvimento profissional.
  • Aumenta o autoconhecimento de quem recebe.
  • Contribui para o processo de amadurecimento pessoal e profissional.
  • Aprimora as relações interpessoais.
  • Estimula a confiança e a transparência.
  • Melhora o desempenho e impulsiona o comprometimento.
  • Incentiva a motivação e a produtividade.
  • Leva a um gerenciamento para atingir objetivos.
  • Impulsiona o controle emocional e a assertividade.

Regras gerais para o feedback

Antes de se reunir com o profissional para esse momento, o líder deve se planejar. O primeiro passo é analisar bem a situação e como falar sobre ela. E a dica de ouro, oferecida por Fabio, é utilizar a ferramenta SBI:

SituationBehaviorImpact 

ou, em português: 

SituaçãoComportamentoImpacto

Essa é a maneira de garantir que está sendo específico, descrevendo o que houve e merece atenção, sem cair em suposições ou intenções. 

Pense nessa situação: Quando alguém diz: “você foi agressivo e fiquei chateado”. A agressividade do outro não é um comportamento, mas, sim, a impressão que o interlocutor teve. “É preciso descrever a situação: Por exemplo: ‘Estávamos falando sobre o projeto e você levantou o tom de voz e, em seguida, bateu na mesa. Isso me incomodou e acabamos não discutindo como deveríamos’. Aqui descrevemos a cena, o comportamento que ocorreu nela e o que ele causou. Deixamos de dar um adjetivo, algo mais genérico, para mostrar como aquela atitude teve impacto na reunião”, explica Fabio. 

Outras dicas que podem ajudar na hora do feedback:

  • Escolha um ou dois pontos em que o profissional possa se concentrar. Se forem apresentados muitos aspectos de uma vez, ele pode se perder.
  • Seja oportuno, ou seja, não deixe passar muito tempo quando ocorrer algo que precisa ser dito e refletido.
  • Fale sempre de comportamentos e atitudes, nunca de pessoas.
  • Lembre-se que feedback é comunicação, portanto, não comece o diálogo já tendo certeza sobre a conclusão.
  • Compartilhe ideias e informações e não dê conselhos.
  • Explore alternativas e não perca energia em busca de respostas e motivos.
  • Concentre-se nas informações que o colaborador possa usar, não naquelas que você gostaria de oferecer.
  • O feedback também inclui destacar pontos positivos. Não se esqueça deles, mas siga a mesma regra: seja objetivo e mostre o porquê do elogio.

Com essas dicas em mãos, ponha em prática o feedback com sua equipe. 

Para saber detalhes sobre o Programa de Desenvolvimento de Lideranças (PDL), clique aqui.

Na Integração, há também o curso Feedback como Ferramenta para Gestão de Desenvolvimento. A próxima turma é em junho. Veja as informações aqui.

Para mais informações, fale com nossa Equipe de Relacionamento pelo telefone (11) 3046-7878 ou pelo e-mail [email protected]

As conexões por meio de histórias que deixam marcas

Quando a Índia e o Paquistão se separaram, em 1947, Baldev perdeu o amigo Yusuf. Cada um ficou de um lado. Mais de 60 anos depois, Baldev conta à neta o quanto sente saudades do amigo e como gostaria de revê-lo. A neta, então, decide fazer os dois velhos companheiros de infância se reencontrarem. Com a ajuda da internet, ela parte em busca de informações sobre um parque em Lahore, no Paquistão, onde seu avô costumava brincar com Yusuf. A história, cheia de emoção, é na verdade um comercial do Google (veja aqui com legendas em inglês).

O que a gigante da internet fez para cativar quem assiste ao anúncio — impossível deixar de ver antes de saber o final —  foi utilizar o storytelling para despertar o interesse e a emoção. Storytelling nada mais é do que a capacidade de contar histórias de maneira relevante e é considerada uma das ferramentas mais poderosas para chamar a atenção e obter uma comunicação eficaz.  

A arte de contar histórias é milenar. Ela ajuda a dar sentido ao mundo e a transmitir conhecimentos. Cativar um público, no entanto, nem sempre é fácil, ainda mais nos dias de hoje em que as pessoas estão conectadas a tudo e a nada ao mesmo tempo. Como assim? Estamos tão ligados a várias redes sociais, Instagram, Facebook, Twitter, WhatsApp, que acabamos, muitas vezes, nos desconectando das pessoas reais que estão bem na nossa frente.

O storytelling, utilizado em campanhas publicitárias de sucesso como essa do Google, também pode ser um meio de prender a atenção de uma audiência. A técnica já é usada, por exemplo, para motivar os colaboradores internos de empresas ou para facilitar o aprendizado e assimilação de informações. 

Platão era um mestre nessa arte. Jesus Cristo narrava de maneira muita eficaz suas parábolas. Mas para ser um bom storyteller – aquele que conta bem uma história –  não é preciso nascer com um dom. O storytelling é uma aptidão que pode ser desenvolvida. Existem técnicas capazes de fazer qualquer pessoa aprender como utilizá-lo para fazer apresentações e articular ideias, descrever situações de modo mais atraente, melhorar a comunicação e a interação no ambiente de trabalho. 

Alguém que desenvolva essa habilidade vai conseguir fazer com que o interlocutor tire os olhos do celular e realmente preste atenção ao que está sendo dito. Isso ocorre porque, quando alguém conduz uma história de maneira interessante, queremos saber o que aconteceu com o protagonista daquela narrativa, que rumo seguiu. Acabamos presos do início ao fim! Resumindo: contar bem uma história aumenta o poder de conexão entre as pessoas.

Fernanda Dutra
Palestrante, instrutora, coach e escritora

Seis dicas de como usar a inteligência emocional e influenciar pessoas

Em 1937, o livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas chegava às livrarias americanas. A obra, de Dale Carnegie, continha os ensinamentos do seu curso de comunicação para adultos em Nova York. Dicas simples e fundamentais como: sorrir, falar o nome das pessoas (o som mais doce e importante para qualquer um) ou sempre começar uma consideração com um elogio sincero. Hoje, com milhões de cópias vendidas e traduzido para 40 idiomas, tornou-se uma bíblia comportamental.

A esse cânone do bom relacionamento se juntou, em 1995, o livro Inteligência Emocional, do psicólogo Daniel Goleman, que também virou best-seller. Enquanto o foco de Carnegie é no poder da empatia, Goleman enfatiza o autoconhecimento. E os dois têm um objetivo em comum: abrir portas no trabalho e na vida pessoal.

Usar a inteligência emocional não significa atingir um estado de nirvana em que nada o desagrada, mas sim reagir de maneira inteligente às situações desagradáveis. Antes de Goleman, sabe como isso se chamava? Maturidade. Goleman apenas criou processos para acelerar nossa maturidade, que nada mais é do que a inteligência emocional. Adianto aqui as 6 principais dicas sobre o assunto.

1. Você não consegue mudar a sua personalidade. E nem precisa.

Imagine a estrutura de um prédio, com pilares e vigas. Você não pode mudar uma viga de lugar, desfazer a fundação. Isso é a sua personalidade. Mas você pode pintar a fachada de uma cor diferente. Isso é o que as pessoas veem, o seu comportamento. Para ser inteligente emocionalmente, você precisa ter consciência de sua personalidade. Você é um cara estourado? Sabe que alguma coisa lhe incomoda e que sua reação natural seria responder com uma grosseria? Então você se reprograma. Não deixa de sentir, o que é impossível, mas reage diferente. Você pode usar uma frase amortecedora, por exemplo: “Entendo que você pensa dessa forma, mas…” ou “Eu também me sentia assim, mas…”. Ou conta até 10.

2. Sim, contar até 10 funciona. E tem explicação científica.

Todo ditado popular tem um fundo de sabedoria. Neste caso, contar até 10 numa situação difícil funciona por duas razões. Primeiro, óbvio, porque leva tempo. Se inteligência emocional é saber aproveitar o espaço de tempo entre o que acontece comigo e a minha reação, para então decidir como reagir, esse tempo é valioso. Segundo, porque quem conta é o lado esquerdo do cérebro, que é o lado racional. Quando você conta até 10, você estimula o cérebro a reagir racionalmente, e não emocionalmente.

3. Até as profissões mais técnicas exigem que você saiba se relacionar.

Dale Carnegie dizia que 85% do sucesso profissional vêm de competências de relacionamentos e 15% de competências técnicas. A proporção pode variar, dependendo da atividade. A competência técnica de um cirurgião cardíaco certamente é muito importante. Mas mesmo esse cirurgião precisa se relacionar bem com o hospital, com o cliente, com o plano de saúde, com a secretária, com o anestesista. Ou então imagine um cientista, que trabalha em frente ao microscópio: como ele consegue um microscópio melhor? Amostras? Os recursos para uma viagem ao exterior? Ele precisa se relacionar e influenciar pessoas até para desenvolver sua técnica. Além disso, é bom lembrar que muitas pessoas são contratadas por habilidades técnicas, mas demitidas por comportamento.

4. Networking não é questão de quantidade, exige trabalho.

Você tem de manter seu network vivo e alimentado. Não adianta ter uma lista enorme de nomes para quem pedir ajuda só quando você precisar. Agindo dessa forma você termina excluído. É preciso administrar seus relacionamentos, conhecer as pessoas, saber do que elas gostam. Oferecer algo sem pedir nada em troca, surpreender seus amigos: “Olha, vi uma matéria que pode te interessar, copiei num DVD, você vai gostar…” Assim você vai semear no outro a vontade de estar perto de você. Isso é influência.

5. Influenciar com mentiras é manipular, mas há verdades que não precisam ser ditas.

Influência é quando conversamos sobre algo e eu tento ser transparente com você, acho sinceramente que nós dois temos a ganhar com a minha visão. E você se convence. Manipulação é usar uma mentira ou distorcer a verdade, de má-fé, para meu ganho próprio. É importante que eu seja sincero, mas isso não significa ser franco. Sinceridade é falar a verdade, franqueza é falar toda a verdade. Por exemplo: se você está bem gordo, mas é um cara bonito, eu estarei sendo sincero se disser que você é bonito. Se eu também disser que você é gordo, estarei sendo franco. Mas não preciso ser.

6. Não trate os outros como gostaria de ser tratado. Você pode fazer melhor.

Esse é um dos erros mais comuns em termos de relacionamento e inteligência emocional. Imagine que você é líder de vários funcionários, com diversos perfis psicológicos. Se você tratar a todos como gostaria de ser tratado, não vai tratá-los como eles gostariam de ser tratados. Tem gente que você precisa bater na mesa, falar forte, desafiar, e eles dirão: ‘Pode deixar comigo, vou te provar que consigo’. Já outros vão para o banheiro chorar, ou pedem demissão. Trate o outro como ele gostaria de ser tratado: para isso, você precisa se relacionar, se interessar por ele, conhecê-lo, ouvi-lo, diagnosticar o seu mundo.

Eduardo Ribeiro é professor da Integração Escola de Negócios, onde ministra o curso Inteligência Emocional e Influência. Para mais informações sobre o curso clique aqui.

Oito dicas para o sucesso da comunicação interna

Já se passaram quinze anos do terceiro milênio, e os desafios da nossa época não têm precedentes na história da humanidade. Estamos assustados pelas ameaças à nossa biosfera. Assistimos, perplexos, a uma mudança incessante de hábitos e atitudes. Convivemos com novas tecnologias a cada instante. Analisando as novas realidades do século 21, está mais do que provado: dinheiro não é riqueza, consumo não é felicidade e informação não é conhecimento.

Diante desse quadro, só vejo uma saída. O caminho de uma comunicação interna transformadora, que possa construir novos saberes e mobilizar novas frentes coletivas. Um caminho que conscientize, favoreça a paz e fortaleça um futuro coletivo sustentável. A tendência é que a comunicação emotiva supere a racional. Porque cada vez mais as pessoas são atraídas e seduzidas por uma interação mais quente, mais próxima e menos cinzenta.

A partir dessas ideias, relaciono 8 dicas fundamentais para uma empresa ser bem-sucedida no assunto:

1. Posicionar a comunicação interna como área estratégica de resultados.  

2. Contar com o apoio da alta liderança. Sem obter as informações essenciais em primeira mão, dificilmente a área de comunicação Interna vai conseguir exercer seu papel de forma eficaz.

3. Alinhar todas as ações, veículos e canais de comunicação interna às prioridades estratégicas da organização. Caso contrário, os investimentos financeiros e o esforço das pessoas não vão obter os resultados esperados.

 4. Valorizar a comunicação face a face. Os gestores são os verdadeiros comunicadores do significado das mensagens. Quando o gestor tem um bom desempenho nisso, as equipes respondem melhor e mais rapidamente.

5. Ter a multidisciplinaridade como palavra de ordem. O perfil do profissional de comunicação está mudando. É preciso apurar seu senso de percepção sobre o clima empresarial, agindo como um autêntico agente de mudança.

6. Ter a tecnologia como aliada, utilizando-a para tornar as comunicações internas mais velozes e eficazes.

7. Desenvolver uma cultura de valorização do diálogo. Dar voz aos colaboradores, ouvindo suas necessidades e expectativas para com isso harmonizar seus interesses com os da direção da empresa.

 8. Avaliar e mensurar permanentemente a eficácia da comunicação interna, partindo sempre de indicadores que possam nortear ações corretivas de reposicionamento de mensagens e ações.

Comunique-se bem, seja claro, aja com transparência e terá uma longa carreira de sucesso pela frente.

Amauri Marchese é professor da Integração Escola Negócios, onde ministra o curso de Como Integrar a Comunicação Interna e o Endomarketing. Clique aqui e conheça o programa do curso.  

Dicas para o uso inteligente do e-mail

Tenho uma mensagem importante pra você: por que, muitas vezes, uma coisa que deveria facilitar a vida faz a gente perder tempo e ainda gerar frustração?

Vou ser mais direta: por que aparecem em nossa caixa de mensagens tantos e-mails confusos, desconexos ou que não precisamos receber? Por que escrevemos um e-mail para confirmar ou registrar um simples pedido feito ao colega da mesa ao lado?

A comunicação eletrônica veio para ficar. Nasceu para ser uma ferramenta eficaz nos negócios e nas relações entre pessoas e empresas. O problema surge quando é usada de forma impensada e automática. O e-mail não existe para substituir um telefonema ou uma conversa. Também não faz sentido ligar para alguém, depois de enviar um e-mail para essa mesma pessoa, para explicar exatamente o que se quis dizer por escrito. Isso só confirma uma coisa: a mensagem não foi clara.

Muita gente gasta horas do dia lutando contra a sua caixa de entrada, com dezenas, centenas de e-mails não lidos ou pendentes. Nas piores situações, isso se torna um vício e a pessoa monitora a chegada de novos arquivos o tempo todo. Não se desliga, não cria, não usa outras formas de comunicação.

O uso inteligente do e-mail precisa fazer parte do nosso cotidiano. Temos que entender que a ferramenta existe para encurtar distâncias, facilitar processos, tirar do caminho coisas pequenas. Para que assim possamos investir nosso tempo com a comunicação que realmente importa. Tanto para nós quanto para a empresa. Como isso acontece na prática? Deixo aqui algumas dicas:  

1. Planeje seu texto.

Não caia na armadilha de começar a redigir sem saber exatamente o que e para quem quer comunicar. Muita gente me pergunta: não é melhor começar logo a escrever? Será que as idéias podem vir enquanto digito o texto? Sim, elas podem vir, mas provavelmente de uma forma desorganizada, sem relação com o que é importante para o leitor. Minha recomendação é: pense em quem vai receber a mensagem. Tente antecipar as dúvidas do leitor e quais os pontos importantes que vão envolvê-lo.

2. Tenha um propósito claro.

Saiba exatamente o que você precisa comunicar no e-mail. Com isso, seu texto vai ficar mais claro e objetivo. E o leitor não vai ligar e perguntar: o que você realmente quer de mim?

3. Tenha certeza.

Você precisa enviar a mensagem para aquela pessoa? Evite uma possível resposta como: tudo bem, mas o que eu tenho a ver com isso? Assim, o fluxo de informação em sua empresa vai ser muito mais racional e efetivo.

4. Comece pela informação mais relevante para o leitor.

Só depois dê exemplos, explicações e argumentos. Abandone aqueles inícios clássicos como: “Considerando a reunião do dia tal”, “Tendo em vista as necessidades do cliente”. Seja direto. Se quiser pedir algo, faça isso logo no começo. Se precisar esclarecer alguma coisa, evite rodeios.  

5. Revise seu texto antes de enviá-lo.

Parece óbvio, mas não é. Erros gramaticais, aquela palavrinha solta, uma frase sem sentido, tudo isso pode ser evitado com uma leitura criteriosa. Não deixe que a falta de tempo justifique o envio de uma mensagem mal escrita. É sua imagem que está em jogo.

Ficou alguma dúvida? É só me enviar um email!

Vivien Chivalski é professora da Integração Escola Negócios, onde ministra o curso de Redação Empresarial. Clique aqui e conheça o programa do curso. 

Dicas para estreitar relacionamentos na empresa

Convidamos o professor Fábio Eltz, da Integração Escola de Negócios, para falar sobre as vantagens de um bom ambiente de trabalho. E de como você é o grande responsável por isso.

DICA 1 – Aceite que o ser humano é complexo

Um dia estamos alegres, no outro acordamos de mau humor. Isso acontece com todo mundo. Não podemos pensar que só os outros têm seu dia de estresse ou de irritação. Todos nós temos problemas e dificuldades, altos e baixos. Por isso, se você está bem hoje, ajude o colega que está em um dia ruim. Assim, em algum outro momento você também vai receber apoio.

DICA 2 – Melhore sua percepção

Pessoas não são máquinas fotográficas que absorvem todos os detalhes de uma cena. A percepção depende da capacidade de atenção, dos interesses, das emoções, do sistema neurológico. Os comportamentos nos relacionamentos estão sujeitos a variações internas (pessoais) ou externas (situacionais). Esses fatores costumam gerar distorções de percepção. Comece a enxergar o seu colega e as situações como um todo, não se prenda a um único detalhe. Por exemplo: se alguém foi mal-educado com você, pense nos problemas que talvez ele esteja enfrentando. Se você melhora a percepção, os relacionamentos no trabalho também melhoram.

DICA 3 – Seja mais empático

Empatia é a capacidade de reconhecer necessidades e desejos das outras pessoas, permitindo relacionamentos mais eficazes. É um estado que faz perceber corretamente os componentes emocionais do outro, colocando-se no lugar dele. Ao compreender melhor as pessoas você aumenta sua visão como ser humano. E passa a aceitar melhor as diferenças, aprendendo a conviver com elas.  

DICA 4 – Aumente o autoconhecimento

É tudo o que sabemos sobre nós mesmos, nossas emoções, reações, preferências, objetivos, valores. E também sobre como os outros nos percebem. Todos nós temos pontos cegos, que são características pessoais das quais não temos conhecimento, mas que são evidentes para quem nos observa. E isso pode gerar dificuldades nos relacionamentos. Pare e pense um pouco: Quem sou eu? Quais são as minhas manias? Será que ando me irritando muito? O que me incomoda ou me deixa feliz? Faça esse exercício e veja como você vai compreender melhor as pessoas.

DICA 5 – Desenvolva suas habilidades sociais

São os comportamentos disponíveis no repertório de uma pessoa. E que contribuem para a qualidade e a efetividade das interações que ela estabelece com os outros. Sociabilidade é a capacidade de estabelecer contato de forma produtiva. É nutrir as relações positivamente e extrair o máximo delas. É ter competência para administrar relacionamentos e criar network. É encontrar pontos em comum e cultivar afinidades. Passe a defender suas posições sem ansiedade, encarando as diferenças de posicionamento como algo natural. Expresse seus sentimentos. Assim você exerce seus direitos sem interferir nos dos outros.

“Dizem que o trabalho enobrece o homem. Vou mais além: é você que enobrece o seu ambiente de trabalho”

finaliza Fábio.

*Fabio Eltz, professor da Integração Escola Negócios, onde ministra vários cursos de Comunicação e Liderança.

O apoio às chefias na comunicação sobre remuneração

Para que os programas de remuneração fixa e variável das empresas atinjam seus objetivos de atrair e reter os talentos, é cada vez mais importante o papel das chefias na comunicação a seus subordinados da filosofia dos seus programas de remuneração.

As chefias são em primeira instância os responsáveis principais pelas decisões envolvendo o pagamento de suas equipes. Assim, também devem ser aqueles que devem explicar diretamente a elas os motivos dos critérios que orientam suas decisões sobre as movimentações salariais realizadas.

Os colaboradores devem entender o que a remuneração recebida deve ser reflexo do valor de sua contribuição para a empresa. É compreensível que eles queiram saber detalhes sobre os tipos de remuneração praticados e os critérios para sua determinação. Além disso, as chefias possuem uma atribuição que lhes é exclusiva: traduzir as expectativas da organização aos colaboradores e identificar o que é necessário que eles façam para atingir essas expectativas, ao mesmo tempo mantendo a motivação nas equipes. E que melhores resultados da empresa podem refletir em mais dinheiro aos seus colaboradores.

O papel de RH

Apesar das chefias terem por obrigação conhecer os programas e critérios da remuneração da empresa, eles talvez não sejam as pessoas ideais para explicar aos colaboradores de forma didática detalhes desses programas. Ao contrário, a área de recursos humanos deve ser a responsável em prover informações e detalhes sobre as diversas políticas de remuneração da empresa e como estas funcionam às chefias, como apoio à comunicação.

O RH deve conduzir diversas iniciativas para isso, tais como:

  • Preparar material de treinamento, como folhetos e manuais dirigidos às chefias e para os colaboradores em geral.
  • Organizar apresentações aos colaboradores para mostrar o processo que define os salários, explicar o mecanismo dos programas de incentivo e de remuneração variável e a avaliação da competitividade do pacote de remuneração e benefícios da organização.
  • Disponibilizar às chefias manuais com respostas às perguntas mais frequentes.
  • Produzir apresentações padronizadas a serem utilizadas pelas chefias nas discussões sobre remuneração com seus subordinados.
  • Promover workshops junto às chefias, com dinâmicas que ajudem os participantes a entender como funcionam os diversos componentes da política de remuneração e como transmitir esses conceitos para os subordinados.
  • Check-lists que auxiliem as chefias nos passos para as discussões de desempenho e das decisões sobre movimentação salarial junto aos seus times.
  • Postar artigos na intranet e nos órgãos de comunicação interna, que reforcem as estratégias de remuneração alinhadas com os objetivos e valores da empresa.

É também papel fundamental do RH monitorar a adequação das estratégias de remuneração para o aumento da produtividade, satisfação e retenção de pessoas e corrigir os desvios observados.

Remuneração como parte do sucesso da organização

Os processos de comunicação sobre remuneração em si só não garantem o sucesso da empresa. Isso deve ser feito através de amplo envolvimento de toda a organização, como, por exemplo através de reuniões abertas onde sejam enfatizadas as metas globais da empresa, de forma que os colaboradores possam  entender o quadro geral onde estão inseridos. O uso  de exemplos e indicadores pode esclarecer como as metas globais e individuais estão evoluindo e as ações para corrigir desvios.

Conclusões

O grande objetivo dos processos de comunicação envolvendo remuneração é criar um ambiente onde os colaboradores confiem no sistema e percebam que estão sendo tratados de forma justa. Esse tipo de clima, entretanto, requer transparência, honestidade, diálogo e comunicação contínua. É crítico que os colaboradores compreendam como funcionam os programas de remuneração e como suas contribuições são recompensadas. Um trabalho conjunto entre as chefias e o RH deve garantir esse conhecimento aos colaboradores, resultando que estes acreditem que a empresa valoriza suas contribuições e conhecimento.

*Texto de Tommaso Russo, professor da Integração, onde ministra o curso Remuneração Variável e Recompensas.

Comunicação escrita eficaz nas empresas

A tecnologia proporcionou avanços à comunicação escrita corporativa. Atualmente, temos excelentes ferramentas para nos auxiliar a corrigir erros, usar soluções gráficas e, principalmente, economizar tempo no envio e recepção das mensagens.

Por outro lado, escrever também pode ser algo complexo. Equipes cada vez mais enxutas, excesso de tarefas a realizar, grande volume de informações desafiam nosso cotidiano e nos levam a ter pouco tempo para planejar e elaborar os textos como provavelmente gostaríamos de fazer. Selecionamos algumas dicas da especialista Vivien Chivalski, para auxiliar você a melhorar a sua comunicação no ambiente corporativo:

1. Escrever não é falar

O primeiro ponto que devemos observar é que há muitas informações a serem passadas e devemos separar as essenciais das desnecessárias, antes de iniciar qualquer processo de comunicação. Outro ponto é perceber que as pessoas são diferentes, têm culturas, percepções e imagens distintas, mas precisam construir algo comum.

Ao convocar um grupo para uma reunião, por exemplo, o redator deve se lembrar de todas as informações necessárias para que cada leitor participe da reunião no dia e hora marcados. Se, após enviar a mensagem, o redator precisar confirmar informações, esclarecer o que escreveu ou acrescentar detalhes pelo telefone, significará que a comunicação não foi eficaz.

A comunicação nas empresas tem papel integrador e viabilizar a tomada de decisões, ações e processos diretamente relacionados à imagem, reputação e clima organizacional, questões fundamentais para que se atinjam os resultados esperados.

O processo de comunicação pode realizar-se pela linguagem oral ou escrita e, embora a língua seja a mesma, a expressão escrita difere da oral – falar é diferente de escrever, pois os recursos de um são diferentes dos do outro. Devemos analisar a linguagem oral como algo que serve de suporte à escrita.

A língua falada pressupõe contato direto entre as pessoas, onde o vocabulário é mais restrito, mas está em constante renovação. Se o orador não usar recursos que garantam empatia com a audiência na emissão, pode ser que a comunicação não aconteça, mesmo que haja planejamento e preparação para o discurso.

Na linguagem escrita, o contato é indireto entre os interlocutores. As estruturas e o vocabulário são mais apurados e mais conservadores. Também há alguns desafios e um deles é que escrevemos muito atualmente e, algumas vezes, optamos pela escrita quando outra forma de comunicação seria a melhor opção.

Comunicar-se de forma eficaz é promover a troca/o encontro. É saber influenciar as pessoas sabendo ouvi-las. É ser claro e manter-se no foco, saber claramente o que se espera de cada reunião, e-mail, contato telefônico, recado, aviso no mural. Escolher a melhor forma de transmitir a informação é um dos primeiros passos para ser eficaz na comunicação.

2. Seja profissional e cordial

Um texto corporativo deve ser focado apenas em assuntos relacionados à empresa. Não há espaço para assuntos pessoais, brincadeiras e piadas, mas isso não quer dizer que essa comunicação deva ser pesada ou arrogante. Ser objetivo, e tratar diretamente dos assuntos importantes ao negócio e às relações de trabalho, mostra respeito com o leitor e evita constrangimentos.

Precisa pedir um favor? Vai cobrar um devedor? Está bravo? Precisa fazer uma reclamação? Seja educado sempre! Comunique-se com firmeza, assertividade, declare exatamente o que precisa ser dito, mas seja educado em qualquer circunstância. Inicie um documento com cordialidade, use palavras como “por favor” e “obrigado”, assuma e assine tudo o que escrever.

3. Primeira pessoa, sempre

Escreva na primeira pessoa do singular ou do plural. Evite expressões que despersonalizam a comunicação como: recomenda-se, o departamento recomenda, é recomendável. Além disso, evite mudar de abordagem no meio do texto: se começar com recomendamos, continue com essa forma de linguagem até o fim do texto.

4. Fale a linguagem do leitor

Um bom texto deve ser escrito para o outro, o leitor, que precisa ter respeitados seu repertório, necessidades de informação e de direcionamento. No entanto, é preciso cautela, pois podemos ter leitores diferentes. As pessoas são únicas e têm necessidades diferentes de
informação, detalhamento e explicações. Além disso, recebem e entendem as informações seguindo seu jeito de pensar e suas expectativas. Para definir qual é o perfil do seu leitor, faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  • Quem vai liderar a ação?
  • Quem vai agir?
  • Quem vai utilizar as informações?
  • Quem precisa conhecer a situação?
  • Quem será mencionado?
  • Quem deve ser consultado?

Nunca distraia, confunda ou ofenda seus leitores. Excesso de informação pode distrair e alguns aspectos podem confundi-los, como: cores, datas, horas, símbolos, medidas, nomes incorretos e excesso de números.

Ofensas são mais subjetivas – um pedido fora de contexto, cópias desnecessárias e tantas outras situações podem estremecer relacionamentos com pares, clientes, fornecedores. Além disso, as pessoas não buscam informações da mesma forma: algumas as querem para tomar decisão (decisoras), para elas o tempo da informação é já, agora. Há outras que são analíticas (introspectivas), precisam da informação, mas precisam também de tempo para digeri-las, o tempo delas é o depois. Há, ainda, quem precise de suporte e aceitação social para captar a mensagem (sociáveis) e outras pessoas que sentem que a informação só é confiável se houver detalhes (detalhistas).

5. Regras de etiqueta

O e-mail é um documento empresarial como qualquer outro. Apesar da rapidez em enviar/receber a mensagem e da proximidade que há com o leitor, ele deve seguir as mesmas regras de educação e profissionalismo que regem as relações nos negócios. Nesse contexto, as principais regras de etiqueta são:

  • Escrever com tato e evitar excesso de letras maiúsculas e minúsculas 
  • Usar cumprimento inicial e assinar as mensagens     
  • Revisar a mensagem para que não haja erros gramaticais  
  • Evitar enviar mensagens com cópia para todos. É preciso ter cuidado com o endereço de e-mail das outras pessoas
  • Não ofender, distrair ou confundir o leitor

*As dicas são da consultora Vivien Chivalski, que ministra o curso de Redação Empresarial na Integração Escola de Negócios. 

O desafio de se comunicar bem

Imagine dois profissionais de perfis opostos. Um é prático, argumenta e se expressa com clareza e objetividade. Em reuniões, expõe opiniões com desenvoltura. Seus e-mails são curtos. O outro é introspectivo, tímido. Dado a reflexões, preocupa-se sempre em pensar mais antes de falar. Não raro, sai de reuniões sem abrir a boca. Seus e-mails são pontuados por considerações e ressalvas. Ambos são reconhecidos como bons profissionais. Mas qual dos dois se comunica melhor? Qual é o desafio de se comunicar bem?

Segundo a consultora Vivien Chivalski, que ministra seminários sobre comunicação corporativa, técnicas de apresentação, redação empresarial e formação de comunicadores, responder a essa pergunta com base apenas nas informações acima seria um erro. “Na comunicação, não importa como você é, importa com quem vai falar. É nesse contexto que entra o desafio de se comunicar bem”, diz ela.

Para a especialista, mesmo os mais tímidos podem aprender técnicas para desenvolver capacidade de expressão, assertividade e abordagens eficazes de comunicação. Da mesma forma, pessoas com dificuldade de se expressar por escrito podem exercitar tal habilidade. “A técnica é o mais fácil”, garante. O “pulo do gato”, no entanto, estaria na capacidade de adaptação da pessoa às diversas situações de interação. Isso envolve conhecer o interlocutor, colocar-se no lugar dele, escutá-lo.

Ela dá um exemplo: “A sede da empresa vai mudar do bairro A para o B. A pessoa encarregada de informar os colaboradores prepara um e-mail expondo as razões da mudança e suas implicações para o funcionamento da empresa. Mas… e quanto às implicações para a vida dos funcionários?” Levar em consideração esses fatores – por exemplo, como o novo endereço afeta os deslocamentos diários entre empresa e residência, ou quais serviços e facilidades o novo bairro tem a oferecer para os funcionários – ajudaria a estabelecer uma comunicação mais eficaz.

O que caracteriza uma boa comunicação

“As pessoas dizem: a boa comunicação é clara e objetiva. Eu concordo. Mas o maior desafio de se comunicar bem é: clareza e objetividade para quem?”. Nas palavras da professora, para vencer o desafio de se comunicar bem é preciso aceitar que essa “é uma relação de adaptação o tempo todo, que requer mais do que habilidades, requer atitudes, como empatia, inteligência emocional e social, escuta ativa”.

Nos cursos que ministra, como os que oferece na Integração, Vivien costuma dizer que, se houvesse uma equação para ultrapassar o desafio de se comunicar bem, assim ela seria descrita: 1O3A. Ou: Observação, Análise, Avaliação e Ação. É preciso, segundo essa equação, observar e analisar o contexto, primeiro, para depois avaliar o que deve ou não ser comunicado, para quem e como deve ser comunicado. E só então partir para a ação concreta, seja ela redigir um e-mail, pronunciar-se em uma reunião ou, mesmo, calar-se. “As pessoas costumam agir primeiro. Só quando percebem que algo não deu certo é que vão observar, analisar e avaliar. Aí eu brinco que entra um outro A, o do Arrependimento.”

Qualquer pessoa que já enviou um e-mail um pouco mais exaltado para um colega de trabalho sabe do que ela está falando.

De acordo com a especialistas, o é que muitos dos profissionais que ela atende argumentam “não terem tempo a perder” com a reflexão anterior. “Principalmente os profissionais de áreas produtivas ou muito especialistas em suas áreas dizem: ‘Eu tenho é que trabalhar, não posso me preocupar com a comunicação’”, diz. “Como se fosse possível trabalhar sem fazer comunicação.”

Os riscos de não se comunicar bem

Os resultados de tal negligência, argumenta Vivien, podem custar mais do que aparentam: “Quantos e-mails são trocados sob base de emoções negativas? Quantos são enviados apressadamente, só para depois eu ter de ligar para o destinatário e confirmar que, sim, ele havia lido e entendido a mensagem? Qual o número dos que são disparados com cópia para todos, mesmo que alguns não estejam envolvidos? E quantos são enviados só para eu me livrar da ‘batata quente’ ou para colocar temor: ‘O chefe está sabendo”?

Ela cita uma pesquisa da revista Exame que afirma que o profissional brasileiro utiliza, em média, duas horas por dia lendo e redigindo e-mails. E continua: “Agora imagine que cada e-mail sem resultado custasse à empresa um centavo – o que não é verdade, custa até mais. O quanto as empresas estão jogando no lixo porque seus profissionais não se comunicam bem?”

Embora, obviamente, não exista a receita infalível da boa comunicação, Vivien admite haver ingredientes indispensáveis para que um profissional desenvolva-se como um bom comunicador – e não apenas em seu cotidiano corporativo. A seguir, ela cita alguns desses ingredientes.

Quatro requisitos para se comunicar bem

1. Seja Claro, conciso, simples – para o outro

Preocupar-se com o entendimento do interlocutor numa conversa, ou do receptor de uma mensagem escrita, é regra básica, mas facilmente ignorada. Uma vez, num curso, as pessoas se apresentavam dizendo as siglas de seus departamentos: ‘Meu nome é João, do ABCD’ ou ‘Eu sou Maria, do XYZ’”, diz Vivien. “Elas estavam tão acostumadas a usar a sigla de seus setores que não percebiam que eu não fazia a menor ideia do que estavam falando.”

Para a professora, a concisão também é importante – “quem fala demais dá bom dia a poste”, brinca –, mas não pode vir às custas do entendimento ou do bom relacionamento. “Saber o quanto é preciso falar ou escrever é uma habilidade.”

E sempre ajuda ter em mente o princípio da simplicidade, principalmente na linguagem escrita, que costuma trair alguns vícios: As pessoas acham que, ao recorrer à comunicação escrita, você tem que colocar roupa de gala. Coisas como ‘vimos por meio desta’ ou ‘acusamos recebimento’, que só criam gordura e distração.

2. Tenha um propósito

Ser objetivo é ter um objetivo. Posso dizer que a objetividade vem antes das habilidades de ser claro, conciso e simples.”, diz Vivien. “Eu preciso saber qual é o meu propósito, qual resultado espero, para definir o que vou comunicar.” A definição de objetivos evitaria equívocos comuns no uso do e-mail corporativo, como o hábito de enviar uma mensagem com cópia para vários destinatários sem necessidade, ou escrever mensagens que precisam ser acompanhadas de explicações mais detalhadas ao telefone. “Muitas vezes a pessoa recebe um extenso e-mail, muito bem explicado, e envia de resposta apenas um ‘ok’. Mas ok a quê? A qual ponto do e-mail? Quer dizer, ela não estava comprometida com o resultado da conversa. Enviou a resposta só para se livrar da obrigação, sem compromisso.”

3.   Acredite que terá resultado

Um item que parece bobagem. No entanto, quantas vezes não se ouve, no dia a dia corporativo, reclamações como “não adianta falar com fulano, ele não resolve”, ou “um e-mail não vai resolver nada”? Vivien garante: Isso, nas empresas, tem um papel terrível, é uma atitude tóxica. As pessoas deixam de tratar dos problemas, empurram com a barriga, já falam desmotivados – ou pior, falam para os lados, reclamam para os outros, o que é uma atitude passivo-agressiva.” A ausência da comunicação por falta de visão de futuro, diz a especialista, é muito grave.

4.   Antes de falar, escute – o outro e a você mesmo

Não se deve interpretar o conselho literalmente. A escuta à que Vivien se refere é a observação do contexto, a tentativa de entender a posição do interlocutor – e a sua própria posição. E isso, às vezes, envolve uma mudança de comportamento: Não se trata de habilidades, mas de atitudes: empatia, inteligência emocional e social. É desafiador e instigante porque mexe com muita coisa. Nos meus treinamentos, às vezes, eu só preciso repetir uma frase que um aluno disse, para que ele perceba: ‘Agora que você falou, vejo que é pesado o que eu disse.’ Isso é muito mais profundo do que aprender técnicas: eu faço um curso de redação e melhoro minha escrita, pronto. Mas para mudar minha atitude, é preciso estar disposto a isso, ter a percepção de que a comunicação é estratégica, necessária e não pode ser segregadora. É um ato de humildade, se você pensar bem.”